"Good bye et au revoir." Luz verde no Parlamento Europeu para o acordo do Brexit

Os eurodeputados aprovaram esta quarta-feira a última etapa para a saída do Reino Unido da União Europeia.

Num debate emocionado, em que não faltaram lágrimas, 73 deputados britânicos despediram-se do Parlamento Europeu. O acordo que regula a saída do Reino Unido foi aprovado com 621 votos a favor, 49 contra e 13 abstenções.

Os deputados despediram-se de mãos dadas e vozes afinadas, a ecoar o poema "Auld lang Syne", com que os escoceses comemoram a entrada do novo ano. O gesto inédito podia até remeter para as declarações de vários deputados escoceses. Por exemplo Aileen McLeod, membro do partido nacionalista.

Esta deputada deu a entender que o Brexit pode mesmo ter consequências internas no Reino Unido. Afinal, "os escoceses votaram consistente contra o Brexit", e foi por isso que se colocou entre os 13 que rejeitaram o texto negociado ao longo dos últimos dois anos e meio.

"Foi isso que a maioria do meu país me mandatou para fazer", anunciou McLeod durante o debate, vincando que "o Parlamento escocês também recusou aprovar este acordo de saída".

"Agora tragédia para a Escócia é que na sexta feira, a Escócia será arrastada para fora da União Europeia, contra o desejo democrático dos nossos cidadãos", disse, num tom irritado.

Com o voto nesta quarta-feira cumpre-se a última formalidade do Brexit. Quando anunciou os resultados, o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli não escondeu o desalento, no dia histórico, confessando estar "profundamente triste, ao pensar que chegámos a este ponto".

"Que um membro parceiro e amigo de longa data, da União Europeia tenha decidido deixar a família da União", lamentou Sassoli, no final de uma sessão histórica, em que se despediu com um "au revoir", tal como fizeram vários deputados britânicos, que pareciam contrariar aquele que em 21 anos como parlamentar europeu se tornou no rosto do Brexit, e que esta quarta-feira voltou a dirigir críticas à União Europeia, despedindo-se com um "goodbye".

Para o coordenador do Brexit no Parlamento Europeu, Guy Verhofstadt é preciso encontrar agora certas respostas, por exemplo, "como foi possível, que mais de 40 anos depois de uma enorme maioria - perto dos 70 por cento, penso eu -, terem votado para entrar na família europeia, tenham decidido agora com base nos próprios direitos soberanos deixarem o projeto europeu.

O vilão da pantomima

O líder do partido do Brexit, "o vilão da pantomima" em Bruxelas, como o próprio se autointitula, Nigel Farage ensaiou uma resposta, dizendo que "isto é o último capítulo, o fim da estrada, para um ensaio político com o qual os britânicos nunca estiveram muito contentes".

"A minha mãe e o meu pai votaram para um mercado comum. Não para uma união política, não por bandeiras, hinos, presidentes. E, agora até querem as vossas forças armadas", afirmou, referindo-se ao primeiro dos referendos, realizado em 1975, no qual 67,23% dos eleitores britânicos escolheram a integração europeia.

"Vão tomar café"

Durante a sessão plenária, houve momentos insólitos, como aquele em que a presidente da sessão mandou calar brexiteers, lembrando-lhe que é preciso "ouvir os oradores".

"Há um bar do lado de fora, vão tomar um café", ordenou a Irlandesa Mairead McGuinnes, que dirigiu a sessão histórica, marcada anteriormente por um incidente, que representou um desafio às regras do Parlamento, com Nigel Farage e o seu grupo de 23 brexiteers a agitarem pequenas bandeiras do Reino Unido, algo que não é permitido pelo regimento.

Farage já antes tinha manifestado todo o seu patriotismo, levantando ligeiramente a perna do fato, para exibir um par de meias com a bandeira do Reino Unido impecavelmente estampada. Entre sorrisos e acenos, o "vilão" deixa 21 anos de participação parlamentar, admitindo que vai "sentir falta de algum drama".

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