Governo alemão condena medidas de repressão contra jornalistas na Bielorrússia

A reação de Berlim surge depois de terem sido retiradas as credenciais a 17 jornalistas estrangeiros.

O Governo alemão condenou este sábado a repressão de jornalistas estrangeiros na Bielorrússia e lembrou que as sanções impulsionadas pela União Europeia (UE) contra Minsk se dirigem aos responsáveis pela fraude eleitoral e pela violência contra protestos pacíficos.

"É inaceitável que se impeça o trabalho jornalístico com detenções e retirada de acreditações", afirmou em comunicado o ministro dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, instando Minsk a "garantir" o exercício da profissão aos meios de comunicação independentes.

Heiko Maas informou que a embaixada alemã em Minsk já interveio na noite passada contra as detenções de jornalistas estrangeiros e advertiu que haverá outras ações, sem precisar quais.

A reação de Berlim surge depois de terem sido retiradas as credenciais a 17 jornalistas estrangeiros, alguns dos quais foram detidos por umas horas. Entre os afetados encontram-se enviados ou correspondentes da televisão pública alemã ARD.

Segundo a Associação de Jornalistas da Bielorrússia, entre os afetados encontram-se correspondentes da televisão alemã, das agências France-Presse, Associated Press e Reuters, entre outros.

Maas considerou que essas ações foram "repressão contra a liberdade de imprensa" e aludiu às sanções que foram acertadas numa reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE realizada em Berlim.

No final de uma reunião informal dos chefes de diplomacia dos 27, o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borrell, indicou na sexta-feira que foi alcançado um "acordo político" sobre a lista de indivíduos a serem sancionados pelas eleições fraudulentas e subsequente violência na Bielorrússia.

A lista, que "incluirá indivíduos ao mais alto nível político", vai ainda ser ultimada, o mesmo acontecendo com a natureza específica das medidas restritivas, afirmou.

Borrell escusou-se a revelar quantos responsáveis serão incluídos na lista e quais, "antes de mais, porque a informação deve ser confidencial até que as sanções sejam adotadas e entrem em vigor", e, por outro lado, porque "os Estados-membros ainda estão a fornecer mais informações".

A crise na Bielorrússia foi desencadeada após as eleições de 09 de agosto, que segundo os resultados oficiais reconduziu o Presidente Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, para um sexto mandato, com 80% dos votos.

A oposição denuncia a eleição como fraudulenta e milhares de bielorrussos saíram às ruas por todo o país para exigir o afastamento de Lukashenko.

Os protestos têm sido duramente reprimidos pelas forças de segurança, com milhares de pessoas detidas e centenas de feridos.

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