Governo cabo-verdiano condena tentativa de golpe de Estado na Guiné-Bissau

Cabo Verde e Guiné-Bissau partilham uma história comum na luta pela independência do regime colonial.

O Governo cabo-verdiano transmitiu "firme condenação" pela tentativa de golpe de Estado ocorrido na terça-feira na Guiné-Bissau e saudou a atuação do Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, e das autoridades locais.

Em comunicado, o Governo de Cabo Verde reconhece que essa atuação "resultou no rápido restabelecimento da ordem e tranquilidade".

"O Governo da República de Cabo Verde reitera a sua solidariedade para com a Guiné-Bissau, e apela que a ordem constitucional possa continuar a vigorar naquele país irmão", lê-se no comunicado.

Cabo Verde e Guiné-Bissau partilham uma história comum na luta pela independência do regime colonial, liderada por Amílcar Cabral, e após anos de afastamento, as lideranças de ambos os países voltaram a aproximar-se em 2021, com a realização de visitas de Estado recíprocas, por parte de cada um dos Presidentes da República. Há precisamente um ano, Cabo Verde abriu a sua primeira Embaixada em Bissau e nomeou o seu primeiro embaixador residente.

Também o Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, apelou ao regresso "à normalidade" na Guiné-Bissau e pediu que a Constituição "seja respeitada", após falar com o homólogo guineense.

De acordo com uma nota da Presidência da República cabo-verdiana enviada na terça-feira à Lusa, José Maria Neves falou ao início da noite com o Presidente da Guiné-Bissau e "constatou que o seu homólogo e os membros do Governo bissau-guineense estão livres de perigo e a situação já está a retornar à normalidade", referindo-se à tentativa de golpe de Estado vivida em Bissau.

De acordo com a mesma nota, José Maria Neves manifestou ainda a sua solidariedade ao Governo e ao povo da Guiné-Bissau, tendo transmitido que "acompanha com grande preocupação os acontecimentos ocorridos nas últimas horas" e que "condena o recurso à força como forma de subverter a ordem e provocar alterações em relação ao poder vigente".

Vários tiros foram ouvidos na terça-feira perto da hora de almoço junto ao Palácio do Governo da Guiné-Bissau onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam.

Pelo menos seis pessoas morreram no tiroteio ocorrido no Palácio do Governo durante a tentativa de golpe de Estado na Guiné-Bissau, disseram à Lusa fontes militares.

Entretanto, segundo fonte governamental, militares entraram cerca das 17:20 no palácio do Governo e ordenaram a saída dos governantes que estavam no edifício.

As relações entre o chefe de Estado e do executivo têm sido marcadas por um clima de tensão, agravada nos últimos meses de 2021 por causa de um avião Airbus A340, que o Governo mandou reter no aeroporto de Bissau, onde aterrou vindo da Gâmbia, com autorização presidencial, e pela recente remodelação governamental.

A tentativa de golpe de Estado já foi condenada pela União Africana, pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), através da presidência angolana, pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, bem como por Portugal e por São Tomé e Príncipe.

O Presidente guineense já agradeceu às forças de defesa e segurança terem conseguido frustrar esta tentativa de golpe de Estado, considerando que constituiu um "atentado à democracia".

"Eles não queriam apenas dar um golpe de Estado, queriam matar o Presidente da República, o primeiro-ministro e os ministros", afirmou na terça-feira Umaro Sissoco Embaló, na Presidência da República, em Bissau.

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