Governo catalão pede a Portugal para "ouvir as duas partes"

Quim Torra ainda não conseguiu perceber qual a posição do executivo liderado por Pedro Sánchez sobre a questão catalã.

O líder regional da Catalunha, Quim Torra, esteve esta quinta-feira em Lisboa para inaugurar a nova sede do executivo independentista em Portugal. Juntamente com ele, esteve também Alfred Bosch, conselheiro da Ação Externa do governo catalão, que foi recebido pelo PSD, PAN e Bloco de Esquerda.

Alfred Bosch admite que Espanha já reconheceu o executivo catalão e espera que Portugal faça o mesmo. "Aos líderes de Portugal pedimos que entendam que se o governo espanhol nos reconheceu como interlocutores, então para colaborar para a resolução do conflito que interessa a Portugal, um país vizinho, que interessa à Europa toda, ao mundo, então devem ouvir as duas partes", acrescentou.

Nesta passagem por Lisboa, Quim Torra manteve um encontro privado com alguns intelectuais e políticos portugueses com o objetivo de fortalecer as relações entre Catalunha e Portugal. Ao fim da tarde, o representante vai inaugurar a exposição "A língua catalã, dez milhões de vozes europeias", na Biblioteca Camões, em Lisboa.

O presidente da Generalitat admitiu que continua a desconhecer as respostas do governo central espanhol para resolver o "conflito político" catalão, um dia depois do arranque do diálogo entre Madrid e Barcelona sobre o futuro da região espanhola.

"É a quarta vez que tenho uma reunião com (o presidente do executivo) Sánchez. Não consigo saber, no entanto, qual é a posição do governo de Espanha", afirmou o líder regional, em declarações à comunicação social portuguesa e espanhola.

Torra sublinhou que há muitas semelhanças entre a luta dos catalães e a dos portugueses, no 25 de abril. "É uma luta pela independência, pelos direitos civis", acrescentou.

O presidente da Generalitat relembra ainda a pergunta que foi feita ao governo espanhol: "Quanta democracia é capaz de assumir Espanha?"

No Palácio La Moncloa (residência oficial do primeiro-ministro de Espanha), em Madrid, Torra foi recebido pelo chefe do executivo, Pedro Sánchez, que liderou a delegação do governo central.

"A posição do governo da Catalunha é muito clara. É o exercício do direito da autodeterminação, formulada num referendo que permita aos cidadãos da Catalunha decidir o seu futuro político democraticamente", prosseguiu.

Quim Torra destacou ainda outra pretensão do executivo regional catalão, que defende uma "reparação por tudo o que sucedeu", ou seja, o "fim da repressão" e a "amnistia" dos "presos políticos".

O líder da Generalitat frisou, no entanto, que o "conflito político" que está em cima da "mesa de diálogo" está relacionado com a soberania da região catalã. "Esta é a mesa para falarmos precisamente disto, deste conflito político. Porque se acabar a repressão ou a saída dos presos políticos ou o regresso dos exilados, o conflito político irá continuar. O conflito político é de soberania, (...) o conflito tem por base o deixar exercer o direito de autodeterminação da Catalunha", sublinhou.

Sobre os futuros encontros com o executivo central espanhol, Quim Torra indicou que será realizada outra reunião no próximo mês de março.

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