Governo do Rio de Janeiro contraria Bolsonaro e mantém isolamento

O Presidente brasileiro desvaloriza a pandemia provocada pelo novo coronavírus. No Brasil há dois mil casos confirmados da covid-19.

O governador do estado brasileiro do Rio de Janeiro defendeu hoje a continuidade de isolamento domiciliar como medida preventiva face ao novo coronavírus, contrariando o pedido do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de fim do "confinamento em massa".

"Peço mais uma vez ao povo fluminense: fique em casa. Siga as recomendações. Não queremos acabar com as empresas, exterminar empregos. Queremos preservar vidas. Ressuscitar a economia a gente consegue. Ressuscitar quem morreu é impossível. A determinação é clara: fique em casa. As soluções virão a seu tempo. O momento é de racionalidade", escreveu o governador Wilson Witzel, numa série de mensagens na rede social Twitter.

As suas declarações contrariam o apelo feito na noite de terça-feira pelo chefe de Estado brasileiro, que pediu às autoridades estaduais e municipais a reabertura de escolas e comércio, e o fim do "confinamento em massa".

"Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o encerramento do comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas", questionou Jair Bolsonaro, sublinhando que o país deve "voltar à normalidade".

Naquela que foi a sua terceira mensagem ao país sobre o novo coronavírus, transmitida na rádio e televisão, Bolsonaro declarou que a vida "tem de continuar" e que a situação "passará em breve".

"O vírus chegou. Está a ser enfrentado por nós e brevemente passará. A nossa vida tem de continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado", frisou.

Contudo, as declarações de Bolsonaro contrariam as recomendações do seu próprio Governo.

Na sua página 'online', o Ministério da Saúde brasileiro aconselha a população a evitar aglomerações, a reduzir as deslocações para o trabalho, defendendo o "trabalho remoto" e a "antecipação de férias em instituições de ensino", especialmente em regiões com transmissão comunitária do vírus, ou seja, quando já não conseguem identificar a trajetória de infeção.

O pronunciamento de Bolsonaro causou polémica nas classes médica e política, que condenaram o seu discurso.

Bolsonaro participou hoje numa teleconferência sobre o combate ao novo coronavírus com governantes dos estados da região sudeste do Brasil, na qual participaram, entre outros, Wilson Witzel, que garantiu estar "satisfeito" com o diálogo alcançado com o executivo federal.

"Não estou aqui para fazer política, e sim para governar. Espero que o Presidente mantenha o diálogo aberto com o Rio de Janeiro", escreveu Witzel no Twitter, no final da reunião.

Na contramão do governador, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, indicou hoje que, a partir de sexta-feira, pretende reabrir "alguns comércios", apesar de frisar que a "quarentena é decisiva".

"Estamos a atualizr algumas medidas já tomadas. A partir de sexta-feira, começaremos a abrir, aos poucos, alguns comércios, como lojas de material de construção e lojas de conveniência (postos de gasolina). Mas vamos conscientizar a população de que não poderá haver aglomeração", informou Crivella também no Twitter.

Segundo o prefeito, "se todos colaborarem, seguindo as medidas, em 15 dias" a população do Rio de Janeiro poderá "retomar as normalidades". "A quarentena é decisiva!", sublinhou.

Na terça-feira, o Brasil ultrapassou os dois mil casos confirmados da covid-19, com o país a registar 2.201 infetados e 46 mortos, de acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 428 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 19.000.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

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