Governo estuda na Europa combate à escassez de medicamentos

A ministra da Saúde garante que o Governo já está a procurar formas para conter a escassez de medicamentos para doenças crónicas.

A ministra da Saúde, Marta Temido, afirma que a escassez de medicamentos afeta toda a Europa e é justificada pela "globalização" e pela "deslocalização" dos centros de produção para outras regiões do globo.

À margem de um conselho de ministros da Saúde, em Bruxelas, garante que o governo já está a trabalhar para combater o problema da falta de medicamentos para doenças crónicas, que de acordo com Marta Temido não tem exclusividade portuguesa.

"Aquilo que constatámos foi que as dificuldades que o nosso país sente se sentem também noutros países e são sobretudo resultantes da globalização do mercado e da deslocalização de algumas áreas de produção para países como a Índia ou a China", justificou a ministra, apontando ainda "uma maior dificuldade no acesso a substâncias que entram na fabricação de determinados fármacos, ou alguns fármacos em concreto".

A ministra garante que já estão a ser procuradas soluções no contexto europeu, com "os países todos alinhados na sua definição de estratégias, além das estratégias nacionais, para que de uma forma mais europeia incentivem que determinadas empresas se fixem em Portugal ou regressem aos países europeus e se fixem".

Meningite W

A ministra diz não haver dados que apontem para "qualquer paralelismo" entre a escassez de medicamentos para as doenças crónicas, com as dificuldades para a aquisição da vacina para a estirpe W da Meningite. Esta vacina não está incluída no plano nacional de vacinação, mas os pediatras têm vindo aconselhar a administração da vacina para este tipo fulminante da doença.

Sem querer alongar-se, Marta Temido garantiu apenas que "o Infarmed e as entidades envolvidas continuam a trabalhar nessa matéria".

Meningite B

Sobre as discussões com o ministério das finanças para a mobilização de verbas, no Orçamento do Estado de 2020, para a a vacinação gratuita contra a meningite B, Marta Temido não esclarece.

"Não gostaria de me pronunciar aqui, nesta sede, [em Bruxelas], sobre assuntos nacionais, estamos realmente a trabalhar com o ministério das Finanças, sobre vários assuntos", respondeu, dando a entender que a promessa, incluída no Orçamento do Estado deste ano, está em discussão, embora não se saiba se a medida que ficou por concretizar em 2019, virá a ser executada no próximo ano.

Recorde-se que a vacina contra a meningite B, rotavírus e vírus do papiloma humano foi aprovada no Orçamento do Estado de 2019, mas poderá só avançar para o próximo, se for incluída na proposta de Orçamento do Estado.

Neste momento, cerca de metade da população infantil não tem acesso à vacina, com um consto que ronda os 95 euros e garante eficiência, em 4 em cada 5 crianças, de acordo com um novo estudo da Sociedade Portuguesa de Pediatria, citado pelo DN.

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