Governo sombra birmanês lança estação de rádio clandestina

A Birmânia enfrenta uma grave crise política, militar, económica e social depois da tomada do poder pelos militares através do golpe de Estado do passado dia 1 de fevereiro.

O governo sombra formado como resposta ao golpe de Estado Militar na Birmânia lançou esta sexta-feira um programa de rádio diário para combater a supremacia radiofónica dos meios de comunicação dominados pelos militares no poder.

A Birmânia enfrenta uma grave crise política, militar, económica e social depois da tomada do poder pelos militares através do golpe de Estado do passado dia 1 de fevereiro.

As manifestações dos movimentos democráticos fizeram eclodir uma brutal repressão das Forças Armadas em várias regiões do país, sobretudo nos meios urbanos mas também nas áreas rurais fazendo recrudescer as ações os grupos étnicos armados que lutam por maior autonomia.

Antigos deputados dissidentes da Liga Nacional para a Democracia, de Aung San Suu Kyi, formaram um "governo de unidade nacional" (NUG) na clandestinidade e no exílio procurando apoios junto da "comunidade internacional".

Esta sexta-feira, uma emissão de 30 minutos da Radio NUG foi transmitida pela primeira vez esperando-se um total de duas transmissões diárias.

O primeiro programa da estação de rádio clandestina informou a população sobre a pandemia de covid-19 e sobre os abusos dos militares contra os militantes democratas.

Várias cartas de membros da oposição e ativistas foram lidas aos microfones da Radio NUG.

"Enviamos cumprimentos e estamos muito orgulhosos de vocês", disse uma ouvinte numa carta enviada aos responsáveis pela emissão.

Com uma página na rede digital Facebook, a Rádio NUG incentivou os ouvintes a comprarem recetores de rádio em vez de seguirem as emissões pela internet, para que sejam contornados os cortes de rede provocados pela Junta Militar.

As Forças Armadas no poder consideram o NUG "organização terrorista" o que significa que qualquer pessoa que contacte com os membros do "governo sombra" ficam sujeitos às leis antiterroristas.

Na quarta-feira, uma organização de direitos humanos birmanesa disse que os militares mataram mais de mil pessoas desde fevereiro.

O chefe da Junta Militar, Min Aung Hlaing, justificou a tomada do poder como "um meio de proteger a democracia" alegando fraudes eleitorais nas legislativas de novembro de 2020 e que deram a vitória à Liga Nacional para a Democracia.

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