Grécia recusa cuidados de saúde a crianças refugiadas doentes em Lesbos

Médicos Sem Fronteiras apelam o Governo do país para que as crianças sejam transferidas com urgência para a Grécia continental e para outros Estados-membros da União Europeia.

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) emitiu, esta quinta-feira, um comunicado a denunciar que o Governo grego está a recusar cuidados de saúde a pelo menos 140 crianças refugiadas gravemente doentes em Moria, o maior campo de refugiados da Europa, na ilha de Lesbos. A organização internacional apela a que o Executivo grego transfira todas as crianças doentes para o continente grego ou para outros Estados-membros da União Europeia onde possam receber cuidados médicos.

"Vemos muitas crianças que sofrem de doenças como diabetes, asma e doenças cardíacas que são forçadas a viver em tendas, em condições anti-higiénicas, sem acesso aos cuidados médicos especializados e medicação de que precisam", explicou Hilde Vochten, médico coordenador da MSF na Grécia.

Já no verão do último ano, o Governo grego revogou o acesso aos cuidados de saúde às pessoas sem documentos e requerentes de asilo que chegaram à Grécia, deixando mais de 55 mil pessoas sem assistência médica.

"A MSF está em negociações com as autoridades gregas com o objetivo de transferir as crianças para o continente, para receberem cuidados médicos urgentes. Apesar de algumas crianças já terem sido rastreadas, ainda nenhuma foi transferida", afirmou o mesmo representante da Médicos Sem Fronteiras na Grécia.

Há centenas de crianças com doenças complexas e crónicas - problemas cardíacos, epilepsia e diabetes, por exemplo - que exigem tratamentos especializados que nem a organização não-governamental nem o hospital público local conseguem fazer, por falta de equipamentos.

"A minha filha Zahra tem autismo e vivemos num pequeno espaço quase sem eletricidade. Muitas vezes, a meio da noite, ela tem convulsões e não está lá ninguém para nos ajudar. Só quero estar num espaço onde a minha filha possa brincar com outras crianças e ser tratada por um bom médico", acrescentou Shamseyeh, oriunda do Afeganistão e atualmente a viver no campo de refugiados de Moria.

*com Cristina Lai Men

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