Green Deal. Bruxelas rejeita que aumento do custo da energia se deva a políticas climáticas

Bruxelas identifica "múltiplos fatores" para euforia nos mercados da energia. "Preço do carbono", responsável por "pequena percentagem", diz porta-voz.

A Comissão Europeia salienta que o aumento do preço do gás no mercado global é o "principal responsável" pela subida dos custos da energia, a par do "aumento da procura" nos países asiáticos.

A Comissão Europeia diz estar a acompanhar o problema que atinge vários países europeus, e considera que são necessárias medidas, mas coloca as políticas do Green Deal fora da equação.

"O fator dominante é o mercado global do gás", afirmou hoje o porta-voz da Comissão Europeia para o clima e energia, Tim McPhie, acrescentando que "o aumento de preços é também orientado pela recuperação económica, e pela elevada procura na Ásia".

"O preço [das emissões] de carbono aumentou, é verdade", afirmou, admitindo que por essa via pode haver uma "pequena" margem do preço final resultante das políticas climáticas.

"Mas, consideramos - e as estatísticas mostram - que é uma percentagem pequena do aumento geral de preços. Durante este período, as renováveis continuaram a produzir eletricidade a custos mais baixos e estáveis", afirmou o porta-voz.

"A ironia é que se tivéssemos começado cinco anos antes, na transição verde, não estaríamos agora a assistir a esta dependência dos combustíveis fósseis, que é o principal responsável nesta questão", argumentou.

Nas últimas semanas, o mercado ibérico de energia tem assistido a uma escalada de preços, e algumas operadoras admitem que haverá impacto na fatura para os consumidores. Em Portugal, a EDP e a Galp ajustarão o preço para os consumidores, a partir de 1 de outubro.

O principal porta-voz da Comissão, Eric Mamer considera que devem ser identificadas opções para a redução da fatura da energia, mas entende que não pode confundir-se o problema com as soluções.

"Temos de nos assegurar que se distingue uma questão de política estrutural, negociada com o acordo de todos os Estados Membros, que é a necessidade de um esforço de longo prazo para combater as alterações climáticas, e a questão imediata da fatura da energia para as famílias", afirmou Eric Mamer.

"É uma questão importante, mas temos de lidar com ela como uma questão económica, que pode requerer diferentes tipos de medidas, em particular dos Estados-Membros, ou da Comissão, ou dos próprios operadores económicos", defendeu.

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