Greve contra a reforma de pensões afeta transportes, escolas, hospitais e bombas de gasolina em França

Prevê-se que pelo menos um terço das escolas parisienses fiquem de portas fechadas e apenas um em cada dez comboios circule ao longo do dia.

Decorre esta quinta-feira em França uma mobilização contra a reforma das pensões que pretende aumentar a idade de reforma para os 64 anos. Os sindicatos franceses juntaram-se para apelar a uma grande mobilização nacional contra a reforma das pensões proposta pelo governo francês, mas também para apelar ao aumento salarial.

Escolas fechadas, linhas de transportes bloqueadas e aviões que ficam em terra - todos os setores foram convidados pelos sindicatos franceses a parar para fazer greve.

O porta-voz do executivo francês, Olivier Véran, entende que a greve é uma "expressão democrática", mas espera que o debate tenha lugar e que o quotidiano dos franceses não seja afetado pela greve.

"Este é um movimento que corresponde a uma expressão democrática, que respeitamos, claro: o direito à greve é protegido pela Constituição. Conheço o sentido de responsabilidade dos franceses, conheço o dia-a-dia difícil dos franceses... Esperamos que esta expressão popular não se transforme num bloqueio. Podemos manifestar, contestar, debater: sim! Bloquear o país e o dia-a-dia dos franceses, não!", apelou Olivier Véran.

O principal sindicato das escolas primárias, Snuipp-FSU, prevê que 70% dos professores das escolas primárias façam greve e que pelo menos um terço das escolas parisienses fiquem de portas fechadas.

O Secretário Nacional para as Condições de Trabalho do Sindicato dos Colégios e Escolas Secundárias, Maxime Reppert, acredita que a mobilização poderá ser superior aos números anunciados. "Este projeto de lei diz respeito a todos. Existe uma diferença entre os professores da escola primária e do secundário, no que diz respeito à greve: os professores das escolas primárias são obrigados a declarar a sua ausência 48 horas antes da data da greve. Para os do secundário, não é necessário avisar. Por este motivo, penso que a mobilização vai ser imensa, maior do que os números previstos até agora", afirmou o sindicalista.

A empresa ferroviária francesa, SNCF, informou que um em cada dez comboios vai circular ao longo do dia, as linhas de TGV também vão ser afetadas, bem como as linhas de metro.

Perante o bloqueio dos transportes, os franceses tentam adaptar-se: é o caso de Pierre, que tentou encontrar alternativas para ir trabalhar em dia de greve. "Falei com meu patrão... temos vários dias de teletrabalho por semana, o que facilita as coisas. Não posso perder um dia de trabalho", explica.

Como muitos franceses que não fazem greve, Ahmed não sabe se vai conseguir chegar ao trabalho. "Venho até à estação, mas se não tiver comboio vai ser difícil... este vai ser um dia muito longo", lamenta.

Os sindicatos juntaram-se para apelar a uma greve em oposição ao projeto da reforma das pensões: os debates no Parlamento sobre este projeto de reforma vão decorrer até ao dia 26 de março.

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