Gripe e Covid-19 "podem ser uma mistura complicada"

Mais de meio ano depois de a Covid-19 ter chegado a Portugal, e numa altura em que estamos a entrar numa nova fase da pandemia, a TSF falou com uma médica inglesa que está na primeira linha do combate ao vírus.

Critica as orientações do Governo britânico desde o início, não entende os corredores aéreos sem uma retaguarda capaz no país de origem e acrescenta que é uma vergonha a Inglaterra não se coordenar com os países da União. Esta médica de 63 anos acredita que o regresso à escola poderá transformar-se num caos e que um medicamento ou uma vacina segura só deverão aparecer lá para meados do próximo ano.

Sally Qodward trabalha numa unidade hospitalar junto a Westminster e diz que, no início, tudo estava a correr como protocolado pela Saúde. "A ideia era fazer testes como o que é feito tradicionalmente com as doenças sexuais infecciosas. Fazia-se o teste e depois faz-se o contacto. E era feito pelos médicos de saúde pública."

Duas semanas depois, tudo se alterou, "com ordens confusas do Governo inglês", diz a médica. "Passou a ser, e ainda é, tudo organizado completamente independente do sistema de saúde. Ainda hoje eu não consigo enviar uma pessoa para fazer o teste."

Ao não testar, o contágio aumentou, e agora que as aulas estão a começar, a médica de Londres teme o efeito nas zonas mais pobres e povoadas de Inglaterra. "Parece que todas a zonas do noroeste, onde há mais pobreza e onde vivem grandes grupos nas casas... Parece que agora é endémico."

Sally Qodward acrescenta que "os vários agentes e instituições nunca se organizaram e para ajudar nestas situações teria que haver muita vontade, honestidade e transparência do Governo e, se não há trabalho em conjunto, temos o que nós temos em Inglaterra, que é o caos".

A doutora de medicina geral e familiar acrescenta que a única quarentena que deveria ser obrigatória era ao Brasil ou aos Estados Unidos e nunca aos países da União Europeia. " Se trabalhássemos em conjunto, parece-me que poderíamos resolver a coisa de uma forma melhor para toda a gente mas a Grã-Bretanha parece que decidiu não fazer parceria com ninguém na Europa, e isto é muito triste."

A médica que trabalha ao lado de Westminster acredita que "não há vagas da doença mas variações normais devido à forma como se tem gerido o vírus".

Com a gripe à porta, Sally Qodward diz que "pode ser uma mistura complicada para os serviços de saúde" e que, apesar das muitas vacinas que se apregoam, "é melhor só pensar numa segura lá para o meio do próximo ano". Mas o mais importante de tudo é estudar o comportamento do vírus. Para isso, afirma, a forma mais certa de lá chegar "é testar, testar, testar".

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de