Grupo de ativistas volta a colar-se a pintura, desta vez uma cópia de "A Última Ceia"

Estas manifestações pretendem alertar para o grande risco que paisagens naturais podem sofrer com as mudanças climáticas.

Um grupo de ativistas, que tem invadido diversas galerias no Reino Unido com o objetivo de enviar uma mensagem ao governo britânico sobre as alterações climáticas, voltou a 'atacar', desta vez na Academia Real Inglesa, em Londres.

Na manhã de terça-feira, cinco manifestantes pertencentes ao grupo Just Stop Oil (JSO) colaram as mãos na moldura de uma cópia da famosa pintura "A Última Ceia", de Leonardo da Vinci, que se acredita ter sido pintada por dois alunos do artista renascentista italiano. Também foi escrito com spray branco, por debaixo da pintura, "No new oil" ("sem novo petróleo", numa tradução literal).

"A Última Ceia" é um dos quadros mais famosos do mundo, que retrata o momento em que Jesus reúne os 12 discípulos e declara que um deles o iria trair. Assim, a escolha deste quadro em específico não foi ao acaso, já que, de acordo com a declaração de um dos ativistas presentes no local, o governo do Reino Unido é igual a Judas, o discípulo traidor, como é possível ouvir no vídeo publicado na conta de Twitter do grupo Just Stop Oil.

No mesmo discurso, o manifestante acrescentou que o grupo Just Stop Oil selecionou esta "bela pintura magnífica" porque o futuro é "mais sombrio do que nunca", referindo-se às alterações climáticas que se sentem por todo o mundo.

O objetivo deste grupo é alertar para o futuro sombrio que pode surgir se não forem tomadas medidas para acautelar as mudanças climáticas e, principalmente, pedir ao governo britânico que bloqueie as licenças para futuras extrações de petróleo.

A sala onde a pintura estava exposta acabou por ser fechada ao público devido ao protesto, depois de quatro manifestantes terem permanecido na divisão por mais de três horas. Segundo um porta-voz da galeria, citado pela CNN, os ativistas foram retirados da divisão pelas autoridades e a condição da pintura está a ser analisada por especialistas da Academia Real Inglesa.

O protesto desta terça-feira é o quinto desde a semana passada em que vários manifestantes se colaram às molduras de diferentes quadros conhecidos. Incidentes com uma obra de Van Gogh na Courtauld Gallery de Londres e uma pintura de JMW Turner na Galeria de arte de Manchester já tinham sido relatados. O último protesto aconteceu na segunda-feira na Galeria Nacional de Arte de Londres, onde ativistas cobriram a famosa pintura de paisagem de John Constable "The Hay Wain" com uma versão modificada da imagem antes de colarem as mãos na moldura.

Depois da manifestação na Academia Real Inglesa o grupo Just Stop Oil publicou um comunicado com declarações de alguns ativistas. Lucy Poter, ex-professora de 47 anos, disse: "Nós não temos tempo a perder, dizer que temos é uma mentira. Devemos interromper todo o novo petróleo e gás agora, só vamos parar com as manifestações nas galerias de arte quando o governo fizer uma declaração nesse sentido. Até lá, os protestos vão continuar para que os jovens saibam que estamos a fazer tudo o que podemos por eles. Não há nada melhor que quisesse estar a fazer agora."

No mesmo comunicado, outra ativista, Jessica Agar de 21 anos, deixou uma exigência: "Se os diretores desta galeria realmente acreditam que a arte tem o poder de mudar o mundo, exijo que eles reivindiquem esse poder, fechem e se recusem a abrir até que o governo não se comprometa com nenhum petróleo."

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