Pressão em Downing Street. Grupo de ministros vai pedir a Boris Johnson que se demita

Boris Johnson já afirmou que não pretende sair da liderança do Governo e diz que há "talento" suficiente entre os conservadores para nomear novos governantes para os lugares dos demissionários.

Um grupo de ministros do Governo britânico, incluindo o novo ministro das Finanças Nadhim Zahawi, vai esta quarta-feira a Downing Street para pedir ao primeiro-ministro, Boris Johnson, que apresente a demissão.

Johnson está a ser ouvido esta tarde pelo Comité de Ligação do Parlamento e foi lá que já repetiu a determinação para "continuar", apesar do número crescente de deputados Conservadores insatisfeitos.

"O país está a atravessar tempos difíceis", admitiu, referindo "as pressões a que as pessoas estão sujeitas e a necessidade de o governo se concentrar nas suas prioridades".

Deve depois ouvir os ministros dos Transportes, Grant Shapps, da Administração Interna, Priti Patel, das Finanças, Nadhim Zahawi, em funções há menos de 24 horas e o líder da bancada parlamentar dos Conservadores, Chris Heaton-Harris, todos nomes adiantados pelos média britânicos.

Em cima da mesa está também a hipótese de mudança das regras do grupo parlamentar de forma a permitir a apresentação de uma nova moção de confiança antes dos 12 meses exigidos no quadro atual.

Segundo a BBC e o Daily Telegraph, entre outros, os ministros da Irlanda do Norte, Brandon Lewis, e do País de Gales, Simon Hart, estão entre aqueles que se preparam para fazer a intervenção.

Johnson prepara substitutos

A iniciativa surge após uma série de demissões nas últimas 24 horas, estimadas em mais de 30 membros do Governo, entre ministros, secretários de Estado, assistentes e outros conselheiros.

Boris Johnson também já afirmou que não pretende dissolver o Parlamento nem convocar eleições antecipadas para tentar ultrapassar esta crise e afirmou existir suficiente "talento" na bancada parlamentar do Partido Conservador para substituir os membros demissionários.

Cinco secretários de Estado anunciaram esta tarde numa carta conjunta que iam deixar o governo de Boris Johnson, elevando para pelo menos 32 o número de membros do governo britânico que se demitiram desde terça-feira.

"Temos de pedir que, para o bem do partido e do país, se demita", escreveram a Boris Johnson os Secretários de Estado Kemi Badenoch, Neil O'Brien, Alex Burghart, Lee Rowley e Julia Lopez.

Ao todo, segundo o Institute for Government, o Governo é composto por cerca entre 160 a 170 pessoas, entre ministros, secretários de Estado, assistentes e outros conselheiros.

O primeiro-ministro britânico está sob intensa pressão devido a uma série de demissões nas últimas 24 horas, que forçou uma remodelação da equipa.

A crise foi desencadeada porque Johnson admitiu, após dias a negá-lo, que sabia de alegações de má conduta sexual contra o deputado Chris Pincher antes de o promover a vice-presidente da bancada parlamentar em fevereiro.

Entretanto suspenso dos Conservadores, Pincher demitiu-se na semana passada após acusações de que tocou de forma sexual vários homens num clube privado em Londres, alegando ter "bebido demais".

Questionado se pretendia convocar eleições antecipadas, Johnson desmentiu os rumores.

"Penso que ninguém neste país quer que os políticos entrem agora em eleições. Penso que temos de continuar a servir os nossos eleitores, e resolver as questões que lhes dizem respeito", acrescentou.

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