Guterres apela à "calma" no Mali e à "libertação incondicional" de líderes civis

O Conselho de Segurança da ONU poderá realizar uma reunião de emergência nos próximos dias sobre a situação no Mali.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apelou esta terça-feira à "calma" no Mali e pediu a "libertação incondicional" dos seus líderes civis, detidos na segunda-feira pelos militares.

"Estou profundamente preocupado com as notícias da detenção de líderes civis [encarregados] da transição no Mali", escreveu Guterres numa mensagem na rede social Twitter, referindo-se à detenção do Presidente, Bah Ndaw, e do primeiro-ministro, Moctar Ouané.

"Apelo à calma e à sua libertação incondicional", acrescentou.

Segundo diplomatas ouvidos pela agência de notícias France-Presse (AFP), o Conselho de Segurança da ONU poderá realizar uma reunião de emergência nos próximos dias sobre a situação no Mali.

A União Europeia e países como França, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha condenaram na segunda-feira a tentativa de golpe de Estado no Mali, depois da detenção do Presidente e primeiro-ministro transitórios, pedindo que a transição política no país prossiga sem quaisquer entraves.

A União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) também condenaram a atuação dos militares, exigindo a libertação "imediata" das duas principais figuras do Estado maliano.

O Presidente do Mali, Bah Ndaw, e o primeiro-ministro, Moctar Ouané, foram detidos na segunda-feira e transportados para um campo militar perto de Bamako, capital do país, por um grupo de soldados insatisfeitos com o novo Governo.

"O Presidente e o primeiro-ministro estão aqui em Kati para tratar de assuntos que lhes dizem respeito", disse um alto funcionário militar à AFP, que confirmou esta informação junto de outra fonte, sob condição de anonimato.

O campo de Kati é considerado a maior instalação militar maliana e foi neste local que o antigo Presidente eleito, Ibrahim Boubacar Keïta, foi obrigado a renunciar ao cargo por um grupo de coronéis golpistas, em 18 de agosto de 2020.

Será este mesmo grupo que está a levar a cabo o aparente golpe de Estado, nove meses depois, de acordo com a AFP.

As intenções do grupo ainda são desconhecidas.

Em 2012, também o então primeiro-ministro, Modibo Diarra, foi detido por golpistas e forçado a renunciar.

Esta alegada tentativa de golpe de Estado ocorreu poucas horas depois do anúncio do novo Governo, ainda maioritariamente dominado por militares.

O novo Governo não inclui oficiais próximos da Junta Militar, dos quais Assimi Goïta era líder, que tinha conquistado o poder depois do golpe de 2020.

Estes coronéis criaram os órgãos de transição algumas semanas depois do golpe, entre os quais um chefe de Estado - o militar aposentado Bah Ndaw - e um primeiro-ministro - o civil Moctar Ouané.

Na sequência da pressão da comunidade internacional e da população, os militares concordaram em devolver o poder aos civis eleitos, num período de 18 meses, e não em três anos, como inicialmente previsto.

Contudo, sob forte contestação política e social, Ouané renunciou ao cargo há dez dias, mas foi imediatamente reconduzido pelo Presidente transitório e indigitado para formar Governo.

A principal incógnita era saber quais seriam as pastas para os militares, em particular os próximos da antiga Junta Militar, aumentando nos últimos dias os receios de que os coronéis golpistas rejeitassem as escolhas do primeiro-ministro.

O atual chefe do Governo também confirmou à AFP que estava a ser detido.

"Confirmo. Homens de [Assimi] Goïta vieram buscar-me para me levar até ao Presidente, que mora não muito longe da minha residência", disse Ouané através de uma curta chamada telefónica com a AFP, que acabou por ser interrompida.

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