Guterres apela ao alívio da dívida dos países mais pobres

Líder da ONU alerta para a iminência de uma "crise da dívida" e acrescenta que os países mais pobres não têm dinheiro para relançar as suas economias.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou esta segunda-feira à comunidade internacional para a aplicação de "um novo mecanismo" destinado ao alívio da dívida dos países mais pobres, fragilizados pela pandemia.

No decurso de uma conferência de alto nível sobre o financiamento ao desenvolvimento organizada na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Guterres emitiu um "apelo à ação urgente" no contexto "da pior recessão desde a Grande Depressão".

Os países dos G20 despenderam cerca de 16 biliões de dólares (13,5 biliões de euros) para relançar as suas economias, mas os países em desenvolvimento não têm essa capacidade, lamentou no decurso deste evento organizado com o Canadá e a Jamaica, na presença de representantes de várias dezenas de Estados.

"Os alívios suplementares e direcionados da dívida a favor dos países vulneráveis, incluindo os países com rendimentos intermédios, serão necessários em definitivo", disse, ao apelar à criação deste "novo mecanismo".

Guterres congratulou-se com as recentes medidas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do G20, apesar de sugerir medidas "mais audaciosas e mais ambiciosas".

O mecanismo do G20 de suspensão da dívida, que expira no final de junho, deverá ser prolongado até 2022 e proposto aos países com rendimentos intermédios que o desejarem, solicitou.

O G20, o grupo das 20 primeiras economias do mundo, chegou a acordo sobre um quadro comum para restruturar a dívida de países pobres com uma moratória sobre o pagamento dos juros no âmbito da "iniciativa de suspensão do serviço da dívida".

"Estamos à beira de uma crise da dívida", advertiu o secretário-geral da ONU, ao considerar que "um terço das economias emergentes estão expostas a um risco elevado de crise orçamental".

Por outro lado, seis países estão em incumprimento, incluindo a Zâmbia e o Líbano, este último pela primeira vez na sua história.

No início de março, os ministros das Finanças do G7 tinham apoiado, por intermédio do FMI, novas ajudas aos países desfavorecidos fragilizados pela pandemia.

Estas economias ricas mostraram-se favoráveis a uma nova emissão de direitos de emissões especiais (DTS), a primeira desde a crise financeira de 2009, para "garantir liquidez" aos países em questão.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 2.784.276 mortos no mundo, resultantes de mais de 127 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.843 pessoas dos 820.716 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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