Guterres denuncia uso "cínico" da guerra na Ucrânia para proteger combustíveis fósseis

"Os interesses dos combustíveis fósseis estão a usar cinicamente a guerra na Ucrânia para assegurar um futuro com carbono elevado", afirmou António Guterres.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, denunciou esta quarta-feira um uso "cínico" da guerra provocada pela invasão russa da Ucrânia para procurar proteger os combustíveis fósseis e travar a transição energética.

"Os interesses dos combustíveis fósseis estão a usar cinicamente a guerra na Ucrânia para assegurar um futuro com carbono elevado", lamentou Guterres em mensagem vídeo, dirigida ao grupo de peritos que criou para analisar os compromissos relativos às emissões de gases com efeito de estufa feitos por atores não estatais.

O comité, que realizou esta quarta-feira a sua primeira reunião, de forma virtual, tem por objetivo definir padrões claros sobre redução a zero das emissões dos gases com efeito de estufa por parte de empresas, investidores, cidades e regiões.

Guterres entende que é fundamental assegurar que os compromissos que se têm anunciado sejam "ambiciosos e credíveis".

O secretário-geral da ONU defendeu que o mundo não se pode permitir a impostura ecológica, o designado greenwashing, em Inglês, termo que se usa habitualmente para referir a estratégia das empresas que procuram mostrar respeitar o ambiente, quando na realidade não o fazem.

"O mundo está numa corrida contrarrelógio", insistiu Guterres, que sublinhou que também não há lugar para os que avançam de forma lenta na execução dos seus compromissos ambientais ou o fazem de forma falsa.

Desde há meses que o dirigente da ONU avisa que há uma importante falta de credibilidade e muita confusão sobre os objetivos de redução de emissões de gases com efeito de estufa divulgados por vários atores não estatais, considerados fundamentais para se poder combater as alterações climáticas.

Por isso, Guterres decidiu criar este grupo de peritos, que começou esta quarta-feira as suas reuniões e deve apresentar um relatório com recomendações até ao final do ano.

Presidido pela ex-ministra canadiana do Ambiente, Catherine McKenna, o coletivo junta 16 personalidades, incluindo ativistas, cientistas, analistas, empresários, banqueiros, economistas, e antigos políticos e figuras públicas.

O economista guineense Carlos Lopes, o banqueiro e ex-ministro das Finanças brasileiro Joaquim Levy e a conselheira da autoridade reguladora da bolsa em Espanha Helena Vines são algumas daquelas personalidades.

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