Guterres diz que furacão Ian é "lembrete brutal" de que nenhum país escapa à crise climática

O furacão Ian demonstrou, segundo Guterres, que "nenhum país e nenhuma economia estão imunes à crise climática".

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse esta segunda-feira que o furacão Ian, uma das maiores tempestades a atingir os Estados Unidos, é um "lembrete brutal de que nenhum país e economia estão imunes à crise climática".

As declarações de Guterres foram feitas a propósito da reunião de ministros do Ambiente de cerca de 50 países que começa hoje em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, para negociações de antecipação da conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP27), que se realizará no Egito, de 16 a 18 de novembro.

Na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, António Guterres considerou esta segunda-feira que o caos climático só aumenta, enquanto "a ação climática estagnou".

"A partir de hoje, representantes de governos estão a reunir-se em Kinshasa para a crítica pré-COP27, que preparará o cenário. O trabalho pela frente é imenso. Tão imenso quanto os impactos climáticos que estamos a ver em todo o mundo: um terço do Paquistão inundou; o verão mais quente da Europa em 500 anos; (...) toda a Cuba em apagão; e aqui, nos Estados Unidos, o furacão Ian fez um lembrete brutal de que nenhum país e nenhuma economia estão imunes à crise climática", disse.

O furacão Ian atingiu na quarta-feira a costa do Golfo da Florida com ventos de 240 quilómetros por hora, tendo feito pelo menos 54 mortos, inundando residências e deixando mais de um milhão de habitações sem eletricidade.

Também em Cuba, o furacão deixou um rasto de destruição e três mortes.

De acordo com um estudo preliminar de cientistas norte-americanos divulgado na sexta-feira, as chuvas ligadas ao furacão Ian aumentaram pelo menos 10% devido às mudanças climáticas.

Numa crítica direta aos países mais ricos do mundo, o secretário-geral da ONU indicou que os compromissos coletivos dos governos do G20 são poucos e estão a chegar muito tarde.

"Em conjunto, as promessas e políticas atuais estão a fechar a porta à nossa oportunidade de limitar o aumento da temperatura global em dois graus Celsius, quanto mais atingir a meta de 1,5 graus. Estamos numa luta de vida ou morte pela nossa própria segurança hoje e nossa sobrevivência amanhã. (...) É hora de um compromisso de nível quântico entre economias desenvolvidas e emergentes", apelou.

Guterres exortou os ministros agora reunidos em Kinshasa a trabalharem para garantir ação na COP27 e "não outra discussão sem saída" e, a nível financeiro, pediu "clareza" por parte dos países desenvolvidos "sobre onde estão, este ano, as suas promessas de entrega de 100 mil milhões de dólares (101,8 mil milhões de euros) anuais par apoiar a ação climática nos países em desenvolvimento".

"E os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento -- incluindo o Banco Mundial -- devem melhorar a sua ação. As economias emergentes, em particular, precisam do seu apoio para a revolução das energias renováveis e construir resiliência", afirmou, numa declaração à imprensa.

O ex-primeiro-ministro português lamentou ainda que a guerra na Ucrânia esteja a colocar a ação climática em segundo plano.

Guterres concluiu com um pedido aos chefes de Estado e de Governo, para que marquem presença na COP27 e digam ao mundo que ação climática tomarão a nível nacional e global.

"Os líderes do mundo podem demonstrar através da sua presença e participação ativa que a ação climática é realmente a principal prioridade global", exortou.

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