Guterres na Colômbia preocupado com os "inimigos da paz"

Na Colômbia, o secretário-geral das Nações Unidas apelou para que se continue a "garantir a segurança dos ex-combatentes, líderes sociais e defensores dos direitos humanos".

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, manifestou na terça-feira preocupação sobre as ações dos "inimigos da paz" na Colômbia, numa visita ao país para assinalar o quinto aniversário do acordo de paz com as FARC.

Ao lado do Presidente colombiano, Ivan Duque, Guterres visitou o município de Dabeiba, uma cidade rural de montanha no departamento de Antioquia, "para ver em primeira mão as conquistas da paz".

Visitou um local de "reintegração" em Llano Grande, onde antigos combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) vivem com as famílias, que tentam, desde o acordo de 2016, reintegrar-se na vida civil com pequenos projetos económicos.

"Todos os dias renovam o seu compromisso de construir um país em paz. Eles sabem melhor do que ninguém que a paz não pode ser construída da noite para o dia. Requer esforço, tenacidade, para construir e preservar", elogiou.

"Infelizmente há inimigos da paz", lamentou o chefe da ONU, apelando para que se continue a "garantir a segurança dos ex-combatentes, líderes sociais e defensores dos direitos humanos".

"As ações de atores armados ilegais (...) destroem as esperanças das comunidades e põem em risco as perspetivas de desenvolvimento", advertiu.

Nesta quarta-feira, assinala-se o quinto aniversário na Colômbia do acordo entre o Governo e os guerrilheiros marxistas que pôs fim a quase seis décadas de guerra civil.

No mesmo dia em que Guterres advertiu sobre os "inimigos da paz", o Governo norte-americano anunciou que vai retirar os ex-guerrilheiros das FARC da lista negra de organizações terroristas estrangeiras.

"Posso confirmar que o Governo enviou hoje [terça-feira] uma notificação ao Congresso a informar a retirada das FARC da lista de organizações terroristas", destacou a fonte parlamentar norte-americana à agência AFP.

A guerrilha marxista integra desde 1997 a lista negra dos Estados Unidos, que permite aplicar sanções financeiras e diplomáticas contra certos grupos e os seus membros.

A 24 de novembro de 2016, as FARC assinaram um acordo de paz com o então presidente colombiano, Juan Manuel Santos, na sequência de negociações que decorreram em Cuba.

Considerada a guerrilha mais poderosa da América Latina, com 13 mil combatentes, as FARC têm vindo a desmembrar-se e transformou-se num partido político, embora a paz continue frágil naquele país, que está ainda dividido e sujeito à violência.

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