Guterres quer "corredores humanitários eficientes" em Mariupol. Putin diz que funcionam

ONU está disposta a mobilizar meios logísticos e recursos humanos para os "corredores humanitários". Putin garante que estão a funcionar bem.

António Guterres confessou a Putin estar "profundamente preocupado" com o que está a acontecer na Ucrânia e sugeriu ao Presidente russo a criação de um grupo de trabalho entre a ONU, a Rússia e a Ucrânia para tornar os corredores humanitários mais eficazes.

"Apoiamos o diálogo bilateral entre os dois países e a boa vontade da Turquia, mas o que queremos é resolver esta situação. Sugerimos que seja criado um grupo de contacto humanitário onde Ucrânia, Rússia e ONU possam discutir em conjunto para que os corredores humanitários sejam realmente eficientes", sugeriu António Guterres durante a conversa no Kremlin, numa mesa branca de seis metros.

O secretário-geral da ONU garantiu que a organização está disposta a mobilizar meios logísticos e recursos humanos para ajudar a resolver este problema.

"Isto será uma operação inicial de retirada de civis da fábrica Azovstal. Em Mariupol, muitas pessoas continuam lá e estão em situações extremamente difíceis. Com este grupo de contactos estaríamos dispostos para, em colaboração com o governo da Rússia e da Ucrânia, garantir a saída destes civis", propôs.

Em resposta, o Presidente da Rússia reconheceu que a situação em Mariupol "é complicada e até trágica", mas garantiu que os ataques já acabaram, até porque uma parte das forças armadas da Ucrânia já se rendeu.

"Uma parte das forças armadas da Ucrânia que estava deslocada rendeu-se, entregou-se. Cerca de 1300 militares. Existem feridos, mas estão a receber cuidados médicos totalmente qualificados dos nossos médicos. A fábrica em Azovstal está totalmente isolada e emiti uma ordem para não atacar, não tomar de assalto. Sabemos que há civis naquela fábrica, então os militares ucranianos são obrigados a deixá-los sair, não podem fazer da população civil um escudo humano", afirmou Vladimir Putin.

O chefe de Estado russo também nega que os corredores humanitários não estejam a funcionar.

"Saíram 140 mil pessoas de Mariupol e são livres de ir a qualquer lado. Todos podem vê-lo, fale com estas pessoas que acabaram de sair", acrescentou o Presidente da Rússia.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas, mais de 5,16 milhões das quais para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que a classificou como a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A guerra na Ucrânia, que entrou esta terça-feira no 62.º dia, já matou mais de 2.500 civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito mais elevado.

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