Há 28 mil pessoas desalojadas na República Centro-Africana após inundações

Na capital, Bangui, residência de cerca de um milhão de habitantes, bairros inteiros transformaram-se em pântanos.

Cerca de 28 mil pessoas ficaram desalojadas na República Centro-Africana após a maior inundação dos últimos 20 anos, revelou esta terça-feira a Cruz Vermelha, um incidente que o Governo local classificou como "um grande desastre natural".

As inundações são uma combinação das chuvas que caíram sem parar durante uma semana e a inundação do rio Ubangui e dos seus afluentes, que transbordaram pela última vez há uma década.

"A última avaliação revelou 28 mil pessoas sem-abrigo" em todo o país, afirmou o pastor e presidente da Cruz Vermelha da República Centro-Africana, Antoine Mbaobogo, à agência France-Presse (AFP), acrescentando que "há muitas casas destruídas e bairros submersos".

Na capital, Bangui, residência de cerca de um milhão de habitantes, bairros inteiros transformaram-se em pântanos. A mesma fonte acrescentou que há casas de terra que "literalmente derreteram debaixo de água e os táxis trocaram de lugar com as canoas para transportar pessoas para determinados sítios".

O porta-voz do Governo, Ange-Maxime Kazagui, num discurso transmitido na televisão na noite de segunda-feira, afirmou que o país, "não apenas a cidade de Bangui, está a enfrentar um grande desastre natural" e que "o rio Ubangui transbordou", impossibilitando a afluência de outros rios, o que "cria um fenómeno de intenso alagamento".

O rio Ubangui, o maior do país, transborda a cada dez anos e, ainda que o país tenha sido assolado por inundações em 1999 que causaram danos significativos, de acordo com presidente da Cruz Vermelha, o fenómeno desta terça-feira foi agravado pelas chuvas que, para a época, são consideradas excecionais seja em duração ou magnitude. "Isto é um acréscimo à grande pobreza dos nossos cidadãos", garante Mbaobogo.

Os distritos de Bangui localizados nas margens do rio Ubangui ficaram particularmente afetados, segundo Kazagui, que alertou para a "falta de água potável, problemas com latrinas, mosquitos, frio e risco de epidemias como a cólera". "Não temos uma estrutura para receber as pessoas, mas estamos à espera que as organizações não-governamentais ofereçam tendas e abrigos para as proteger", acrescentou o porta-voz.

A República Centro-Africana (RCA), impactada pela guerra civil desde que grupos rebeldes derrubaram o regime do Presidente Fançois Bozizé em 2013, é um dos países mais pobres do mundo, sendo que mais de um quarto dos 4,7 milhões de africanos-centrais já foram forçados a deixar as suas casas por causa da guerra civil.

Mais de dois terços do território é controlado por grupos rebeldes armados que estão em conflito entre si ou que combatem as forças governamentais.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da MINUSCA (missão da ONU naquele país), cujo 2.º comandante é o major-general Marcos Serronha, onde está a 6.ª Força Nacional Destacada (FND), e militares na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana, cujo segundo comandante é o coronel António Grilo.

A 6.ª FND, que tem a função de Força de Reação Rápida, integra 180 militares, na sua maioria Paraquedistas, pertencendo 177 ao Exército e três à Força Aérea.

Na RCA estão também 14 elementos da Polícia de Segurança Pública.

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