"Há três tipos de homens, os vivos, os mortos e os do mar"

António Vieira cita Platão para falar do amor à profissão que abraçou há mais de 20 anos. No Dia Mundial do Mar, este sargento-ajudante da Unidade de Controlo Costeiro GNR, com vasta experiência em missões de apoio aos refugiados, embarcou com a TSF no porto de Setúbal.

Patrão de LVI, Lancha de Vigilância e Interceção da Unidade de Controlo Costeiro da GNR, liderada pelo coronel Raul Maia Pires, António Vieira, o sargento-ajudante de 46 anos, natural do Porto e que passou pela Força Aérea nos Açores, é um homem apaixonado pelo mar.

Ao contrário da canção, a vida de marinheiro não está a dar cabo dele: "muito pelo contrário!", exclama na conversa com a TSF, pouco após termos largado do porto de Setúbal: "Dá cabo de mim é estar longe dela. Apegamo-nos a um determinado tipo de trabalho, que muitas vezes é doloroso, cansativo e desgastante, mas é aqui que a gente se sente bem. Quando uma pessoa está algum tempo mais longe deste serviço, sente a falta disto, sente aquela necessidade de sair e interagir com a natureza".

Conhece todos os detalhes desta embarcação onde recebe a reportagem da TSF: "Se calhar conheço melhor que a minha casa, saber que aquele parafuso está mais lasso, que aquele motor está com uma correia mais solta, todos estes pormenores fazem-me sentir mesmo em casa."

António e os camaradas de equipa chegaram a passar uma semana inteira nesta lancha: "Era uma família autêntica, também pudera, estávamos aqui sete dias enfiados, seis homens, mas continuamos com o mesmo espírito e não há dúvida que na parte marítima da GNR há uma camaradagem muito grande."

Aos sete anos de idade, na parte mais apetecida dos doze meses do calendário, a vida dele já era o mar. Na praia de Labruge, em Vila do Conde, onde passava os três meses das férias grandes.

Agora, é a sério. Rendido aos encantos desta baía de Setúbal, já conta com vários anos de experiência em missões internacionais. Vieira é um "Ordinary Hero" da campanha europeia #EUprotects da União Europeia, que distingue aqueles que, fazendo o seu trabalho normal, contribuem para salvar vidas: "Não me considero herói, nem de perto nem de longe". Mas é com orgulho que fala numa das missões que fez com o Frontex, no Mediterrâneo, no apoio aos refugiados, quando lhe coube "planear, projetar e depois concluir a entrega desta mesma embarcação em Piréus, na Grécia e depois fazer toda a travessia do Mar Egeu até junto à Turquia, para a ilha de Kos, quando esta embarcação operou pela primeira vez nessa zona".

Reconhece não haver palavras para descrever a sensação de salvar vidas e já se cruzou com muito desespero e ansiedade de gente que arrisca a morte no mar para tentar dar uma vida com melhor futuro aos filhos: "O desespero está na cara das pessoas, no comportamento... quando a gente chega e deteta as embarcações, o desespero é mesmo visível". António Vieira já se prepara para as próximas missões internacionais, com o mesmo empenho que coloca nos serviços diários, na costa portuguesa.

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