Hidrofluorocarboneto 23, o gás de efeito de estufa que bate recordes na atmosfera

Se as emissões de hidrofluorocarboneto 23 (HFC-23) tivessem reduzido entre 2015 e 2017, teria sido evitado o equivalente a um ano de emissões de dióxido de carbono (CO2) em Espanha.

Um dos mais potentes gases com efeito de estufa, o HFC-23, está a aumentar a um ritmo elevado na atmosfera, concluíram investigadores da universidade de Bristol, no Reino Unido, num estudo publicado esta terça-feira na revista científica Nature Communications.

A concentração de HFC-23 na atmosfera está a crescer para níveis recorde apesar de as emissões globais terem sido alegadamente eliminadas em 2017, porque apesar de ter poucas aplicações industriais, é libertado durante a produção de outro químico usado em sistemas de refrigeração em países como a China e Índia.

Em 2015, ambas as nações, responsáveis pelas maiores emissões de HFC-23, anunciaram que iriam diminuir as emissões nas fábricas que produzem o gás, objetivo que afirmaram ter praticamente cumprido em 2017. Os cientistas esperavam uma descida de quase 90% entre 2015 e 2017, mas descobriram concentrações recorde deste gás na atmosfera em 2018.

"Este potente gás com efeito de estufa tem estado a aumentar na atmosfera há décadas e deveria ter parado quase totalmente no espaço de dois ou três anos, o que teria sido uma grande vitória para o clima", afirmou em comunicado Matt Rigby, especialista em química atmosférica e membro da Advanced Global Atmospheric Gases Experiment.

A razão para o crescimento das emissões globais não é clara e o aumento poderá ter implicações no Protocolo de Montreal, o acordo internacional que visa proteger a camada de ozono na estratosfera.

Possível falha na redução das emissões do gás

Em 2016, os países aderentes ao Protocolo fizeram uma emenda ("Emenda Kigali") em que apontam para a redução do impacto climático dos hidrofluorocarbonetos. O principal autor do estudo, Kieran Stanley, referiu em comunicado que "os países que assinaram este acordo devem comprometer-se a destruir este gás." Apesar de a China e a Índia não terem assinado a emenda, "as suas anunciadas reduções deviam tê-los colocado em linha com os seus objetivos. Mas parece que ainda há trabalho a fazer", afirmou.

"Na nossa investigação, descobrimos que é muito provável que a China não tenha tido tanto sucesso na redução de emissões de HFC-23 como anunciou. No entanto, sem mais medições, com modelos e dados regionais, não podemos ter a certeza se a Índia conseguiu aplicar o seu programa de redução de emissões", acrescentou Stanley.

Caso as emissões do HFC-23 tivessem sido reduzidas entre 2015 e 2017, tal como anunciado anteriormente, os cientistas estimam que teria sido evitado o equivalente a um ano de emissões de CO2 em Espanha. "A magnitude das emissões equivalentes de CO2 mostra o quão potente é este gás de efeito estufa", referiu Rigby. Uma tonelada deste gás emitido para a atmosfera é equivalente a 12 mil toneladas de CO2.

"Esperamos poder trabalhar com outras equipas internacionais para melhor quantificar as emissões da China e da Índia com modelos e dados regionais, ao invés de globais", acrescentou.

Medidas polémicas

Esta não é a primeira vez que as medidas para a redução deste gás são controversas. Estudos anteriores concluem que, entre 2005 e 2010, as emissões do HFC-23 diminuíram à medida que os países desenvolvidos financiaram a redução deste gás nos países em desenvolvimento, através da compra de créditos sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo para as Mudanças Climáticas.

Apesar de os dados atmosféricos corresponderem aos resultados enunciados nas investigações, "acreditava-se que o esquema criava um incentivo perverso para os fabricantes aumentarem a quantidade de gás residual que geravam, a fim de vender mais créditos", mencionou Kieran Stanley.

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