Homens têm maior probabilidade de ficar solteiros. Consequências negativas são muitas

O aumento da pobreza e a degradação das condições de saúde são alguns dos impactos mais diretos.

Quase um terço dos homens solteiros nos Estados Unidos da América vive com, pelo menos, um dos progenitores. Esta é, de resto, uma tendência que se tem verificado em toda sociedade ocidental. É o que revela a análise do Pew Research, relatório relativo a 2019.

Os homens solteiros têm uma maior probabilidade de se encontrarem desempregados, em situação financeira frágil e sem formação universitária. Apresentam ainda uma média de rendimentos inferior. Os homens solteiros norte-americanos tinham rendimentos mais elevados em 1990 do que em 2019, mesmo tendo em conta as variações da inflação.

Em contraste, as mulheres solteiras ganham o mesmo que recebiam há 30 anos, mas as que têm parceiros veem os seus rendimentos aumentar em 50%. Os investigadores envolvidos no estudo alertam para o fosso entre os que vivem com parceiros e os que não vivem, bem como para as transformações económicas que daí advêm.

À medida que o rendimento das pessoas solteiras diminuiu, caiu também a pique o número de pessoas que vivem com cônjuges. Em 1990, 71% dos adultos com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos, em pleno período de atividade, tinham parceiros. Em 2019, essa percentagem era de 62%. Em parte, esse decréscimo é explicado pelos investigadores com o período de tempo, cada vez mais alargado, necessário para estabelecer compromisso.

A idade média para contrair matrimónio também está a subir. O número de solteiros em idades mais elevadas (dos 40 aos 54 anos) é também mais alto do que era em 1990: passou de um quarto para um terço, em 2019. Na faixa etária dos 40 aos 54 anos, um em cada cinco homens vive com um dos progenitores ou com ambos.

Richard Fry, economista e autor do estudo, explica à TSF que a investigação demonstra que a educação e as relações amorosas estão cada vez mais interligadas. "Os adultos solteiros têm muito mais probabilidade de não ter um diploma universitário em comparação com os adultos que estão numa relação. Essa interligação é muito mais forte do que era há 30 anos. E sabemos que os homens sem diploma universitário têm mais dificuldade para ganhar força no mercado de trabalho, numa economia em mudança. Portanto, tudo isso anda de mãos dadas. O perfil demográfico dos homens solteiros não está necessariamente associado a resultados económicos positivos."

O economista também destaca que outro estudo recente do Pew Research expõe que "muitos adultos pensam ser importante que um homem seja financeiramente capaz de prover para a sua família, de forma a poder ser um bom parceiro". Por isso, garante, "o fosso crescente nos rendimentos que existe entre solteiros e não solteiros pode ter consequências para os homens que eventualmente querem casar".

"Entre a população ativa, os adultos solteiros tendem a não se sair tão bem quanto os colegas que estão numa relação, quando falamos do padrão de vida. Por exemplo, uma quantidade crescente de adultos solteiros resultará numa parcela maior da população na pobreza. Estudos feitos por outros investigadores indicam que o casamento e a coabitação tendem a melhorar os resultados na saúde. Portanto, pode haver impactos adversos nos indicadores nacionais de saúde, também."

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