Huawei "tranquilizada". Tecnológica vai entrar no mercado britânico

A empresa tecnológica chinesa vai poder fornecer equipamento para a infraestrutura móvel 5G no Reino Unido.

A tecnológica chinesa Huawei disse esta terça-feira estar "tranquilizada" pela permissão do Governo britânico para fornecer, ainda que de forma limitada, equipamento para a infraestrutura móvel de quinta geração (5G) no Reino Unido, apelando a uma "concorrência justa".

"A Huawei ficou tranquilizada com a confirmação do governo do Reino Unido de que podemos continuar a trabalhar com os nossos clientes para manter o ritmo de desenvolvimento no 5G", indica fonte oficial da empresa numa resposta escrita enviada esta terça-feira à agência Lusa.

Reagindo à decisão do governo britânico, de que a tecnológica vai poder fornecer equipamento para a infraestrutura de telecomunicações 5G no Reino Unido, sendo contudo excluída do envolvimento em partes cruciais da rede, a Huawei defende que "um mercado diversificado de fornecedores e uma concorrência justa são essenciais para a confiança e inovação da rede".

Numa alusão às suspeitas de que a companhia tem sido alvo - nomeadamente pelos Estados Unidos, que a acusam de espiar para o Estado chinês -, a Huawei fala numa decisão britânica "baseada em evidências", que resultará "numa infraestrutura de telecomunicações mais avançada, mais segura e com melhor relação custo-benefício".

Um comunicado do ministério britânico da Cultura, Digital, Comunicação Social e Desporto, divulgado esta terça-feira, indica que "os ministros determinaram [...] que as operadoras do Reino Unido devem estabelecer salvaguardas adicionais e excluir fornecedores de alto risco de partes da rede de telecomunicações essenciais para a segurança".

Sem nomear a Huawei, mas referindo-se a "fornecedores de alto risco", o executivo britânico afirmou que vão ser impostas "novas restrições".

A decisão foi anunciada após uma reunião do Conselho de Segurança Nacional presidida pelo primeiro-ministro, Boris Johnson, onde foi decidido que cabe ao Centro Nacional de Cibersegurança dar orientações aos operadores de telecomunicações do Reino Unido sobre quais são os fornecedores de alto risco.

O governo britânico tem estado sob pressão dos Estados Unidos para proibir o envolvimento da Huawei de toda a rede 5G, tendo o Presidente Donald Trump falado no assunto durante um telefonema com Boris Johnson na sexta-feira.

Os Estados Unidos afirmam que a empresa chinesa, que é privada e que rejeita as acusações de interferência do Estado chinês, representa um risco para a segurança e chegaram a ameaçar com a redução na partilha de informações com o Reino Unido. Mike Pompeo, secretário de Estado norte-americano, escreveu na rede social Twitter no domingo à noite que o Reino Unido tinha uma "decisão importante pela frente no 5G".

A decisão sobre o envolvimento da empresa chinesa nos concursos de fornecimento de equipamento é considerada importante devido aos baixos preços praticados e à diversidade de produtos relativamente à concorrência.

A companhia chinesa opera no Reino Unido há 15 anos. Os Estados Unidos têm, ainda, tentado pressionar outros países da União Europeia (UE) para banir a Huawei das suas redes 5G.

Sem nunca se referir à Huawei, a Comissão Europeia tem vindo a manifestar preocupação sobre possíveis riscos de ciberseguranças nestas novas redes móveis, mais potentes e rápidas do que nunca, razão pela qual apresentará esta quarta-feira uma caixa de ferramentas com medidas de mitigação a serem adotadas pelos Estados-membros da UE.

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