Impeachment de Trump arranca no Senado

O Presidente norte-americano é acusado de ter pressionado o Presidente da Ucrânia a investigar a atividade do filho do seu adversário político Joe Biden junto de uma empresa ucraniana envolvida num caso de corrupção, num gesto que a Câmara de Representantes diz constituir um ato de abuso de poder, bem como de ter tentado obstruir a averiguação destes factos por parte do Congresso.

O Senado norte-americano inicia esta quarta-feira formalmente o julgamento político do Presidente dos EUA, com os democratas a procurarem novas testemunhas para acusar Donald Trump e os republicanos a tentarem um processo rápido, sem sequelas políticas.

O julgamento do processo de destituição de Donald Trump teve uma fase inicial na semana passada, com o juramento do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, John Roberts, que conduzirá os trabalhos, mas inicia-se hoje a sua fase formal, onde os senadores atuarão como juízes.

Donald Trump é acusado de ter pressionado o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar a atividade do filho do seu adversário político Joe Biden junto de uma empresa ucraniana envolvida num caso de corrupção, num gesto que a Câmara de Representantes diz constituir um ato de abuso de poder, bem como de ter tentado obstruir a averiguação destes factos por parte do Congresso.

Os republicanos, que têm a maioria dos assentos no Senado, já anunciaram que tudo farão para rejeitar os argumentos que a oposição a Donald Trump inscreveu em dois artigos para a destituição.

Trump tem repetido que o processo é uma "caça às bruxas" com o objetivo de fragilizar politicamente a sua campanha de reeleição nas eleições presidenciais de novembro próximo, pelo que pediu aos republicanos para procurarem que o julgamento decorra o mais depressa possível, para não causar danos na sua estratégia de campanha.

Tal como aconteceu nos outros dois processos de "impeachment" (Andrew Jackson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998), a disciplina partidária deverá imperar e os republicanos já avisaram que estarão unidos na sua maioria (53 contra 47) para rejeitar os artigos para destituição redigidos pelos democratas, impedindo uma aprovação com 2/3 de votos que conduziria à demissão de Donald Trump.

O primeiro artigo acusa Trump de abuso de poder, considerando que, "usando os seus poderes, o Presidente solicitou a interferência de um Governo estrangeiro, a Ucrânia, nas eleições presidenciais de 2020", referindo-se ao pedido para que o Presidente Volodymyr Zelensky investigasse a atividade da família Biden junto de uma empresa ucraniana.

O segundo artigo, acusa Trump de obstrução ao Congresso, considerando que "sem motivo ou desculpa legal, o Presidente ordenou que agências, departamentos e funcionários do braço executivo não cumprissem as requisições do Congresso", referindo-se ao impedimento de depoimentos de testemunhas e entrega de documentos relevantes para o processo.

"Dessa forma, ele interpôs os poderes da Presidência contra intimações legais da Câmara dos Deputados e assumiu para si funções e julgamentos necessários para o exercício do 'poder exclusivo de acusação' concedido pela Constituição à Câmara de Representantes", diz o texto da acusação.

Estes artigos foram aprovados pela Câmara de Representantes, em 18 de dezembro, mas Donald Trump e os republicanos consideram que eles não têm base de sustentação legal para destituir o Presidente.

Para representarem a acusação no julgamento político, os Democratas escolheram Adam Schiff, presidente do Comité de Inteligência, e Jerry Nadler, presidente do Comité Judiciário, os dois organismos da Câmara de Representantes que conduziram o inquérito para destituição na sua fase inicial, acompanhados de outros cinco deputados: Zoe Lofgren, da Califórnia, Hakeem Jeffries, de Nova Iorque, Val Demings, da Florida, Jason Crow, do Colorado, e Sylvia Garcia, do Texas.

O líder da bancada republicana no Senado, Mitch McConnell, tem procurado evitar que sejam ouvidas novas testemunhas durante o julgamento político, mas os democratas estão a tentar reunir apoios para conseguir que figuras como o ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton ou o chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney, prestem depoimento, tentando tirar proveito político do processo, com novas revelações do envolvimento do Presidente no caso ucraniano.

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