"Impossível convivência." Ministro da Educação brasileiro insulta crianças com deficiência

A declaração surge dias depois de ter dito numa entrevista que estudantes com deficiência "atrapalham, entre aspas" a aprendizagem de outros alunos.

O ministro brasileiro da Educação, Milton Ribeiro, pediu desculpas pela sua afirmação, duramente criticada, de que há crianças com "um grau de deficiência" que torna "impossível a convivência" em sala de aula.

"Nós temos, hoje, 1,3 milhões de crianças com deficiência que estudam nas escolas públicas. Desse total, 12% têm um grau de deficiência que é impossível a convivência. O que o nosso Governo fez: em vez de simplesmente jogá-las dentro de uma sala de aula, pelo 'inclusivismo', estamos criando salas especiais para que essas crianças possam receber o tratamento que merecem e precisam", afirmou Ribeiro na quinta-feira.

A declaração do responsável pela pasta da Educação foi feita durante uma visita ao Recife, dias depois de ter dito numa entrevista que estudantes com deficiência "atrapalham, entre aspas" a aprendizagem de outros alunos.

A repercussão das declarações de Ribeiro foi bastante negativa, com o governante a ser duramente criticado por políticos e instituições que apoiam pessoas com deficiência.

"Este é o Governo em que o ministro da Educação considera impossível a convivência com pessoas com deficiência em salas de aula. Quando ele fala em 'criar salas especiais' está falando em exclusão! Não foi à toa que pedi o 'impeachment' deste senhor", escreveu a deputada federal Maria do Rosário na rede social Twitter.

Andréa Werner, criadora do Instituto Lagarta Vira Pupa, uma rede de apoio para mães, famílias e pessoas com deficiência no Brasil, rebateu as declarações do ministro no Twitter e afirmou que "quem atrapalha é o poder público, que não providencia um sistema educacional realmente acessível e inclusivo".

"O ministro da educação Milton Ribeiro disse que as crianças com deficiência 'atrapalham' as outras na classe. (...) Os nossos filhos existem. Não vamos recuar de nenhum direito, e a inclusão é um deles", frisou Werner.

Romário, ex-jogador de futebol e atual parlamentar, pai de uma menina com síndroma de Down, criticou o ministro nas redes sociais por este ter dito que estudantes com deficiência "atrapalham".

"Somente uma pessoa privada de inteligência, aqueles que chamamos de imbecil, pode soltar uma frase como essa. Eles existem aos montes, mas não esperamos que estes ocupem o lugar de ministro da Educação de um país", escreveu Romário no Twitter.

"A diversidade em sala de aula não atrapalha, porque ninguém que busque o conhecimento atrapalha. Pessoas com deficiência em sala de aula estão, com a sua presença, também contribuindo para uma importante lição, a de que somos diversos e que não podemos deixar ninguém para trás", acrescentou.

Após a repercussão negativa, Milton Ribeiro, um pastor presbiteriano e quarto ministro da Educação do Governo presidido por Jair Bolsonaro, usou também as redes sociais para pedir "perdão" e declarar que algumas palavras ditas por si "foram utilizadas de forma não apropriada"

"Inicio pedindo perdão a todos que se sentiram ofendidos ou constrangidos com a forma como me expressei em relação aos nossos educandos especiais. Algumas palavras foram utilizadas de forma não apropriada e não traduzem, adequadamente, o que eu quis expressar. Minha intenção foi referir-me quanto à dificuldade de desenvolvimento adequado de algumas crianças com deficiências em classes comuns", indicou.

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