Índia rejeita mediação de Donald Trump em litígio fronteiriço com a China

Trump disponibilizou-se para servir de mediador entre as duas partes depois do anúncio de fontes da segurança indianas relacionado com alegados confrontos com centenas de soldados chineses.

A Índia rejeitou esta quinta-feira a proposta de mediação apresentada quarta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, alegando estar já "empenhada" com Pequim na resolução de um litígio fronteiriço com a China.

Trump disponibilizou-se para servir de mediador entre as duas partes depois do anúncio de fontes da segurança indianas relacionado com alegados confrontos com centenas de soldados chineses nas zonas fronteiriças disputadas nos Himalaias, versão que é contestada por Pequim.

"Estamos empenhados com a China na resolução desta questão de forma pacífica", declarou esta quinta-feira à imprensa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano, Anurag Srivastava, depois de questionado sobre a oferta de Trump. "A Índia está comprometida na manutenção da paz e da tranquilidade nas zonas fronteiriças com a China. Ao mesmo tempo, continuamos firmemente resolutos em assegurar a soberania e a segurança indianas", acrescentou.

Soldados dos dois exércitos envolveram-se em vários confrontos registados ao longo dos cerca de 3500 quilómetros de fronteira comum, sobretudo na região montanhosa de Ladakh (norte da Índia, que reclama a soberania).

"As nossas tropas adotaram uma abordagem muito responsável na gestão das fronteiras", sublinhou Srivastava, rejeitando tratar-se de uma escalada mútua de tensões entre os dois países vizinhos, os mais populosos do mundo e detentores de armas nucleares, pelo que Pequim e Nova Deli sublinharam a necessidade de se chegar a um acordo.

Há duas semanas, na região de Sikkim (leste da Índia), soldados de ambos os países foram feridos em confrontos físicos em outra área de fronteira.

Trump já se tinha oferecido, no ano passado, para mediar o conflito entre a Índia e o Paquistão sobre a região de Caxemira, mas Nova Deli considerou que se trata de uma questão bilateral e rejeitou firmemente a iniciativa.

Na semana passada, a secretária de Estado norte-americana para o sul da Ásia, Alice Wells, interpretou o confronto indo-chinês como um sinal de que a China está a tentar atrapalhar o equilíbrio regional e pediu para que o país "tente resistir a esse impulso".

Em 2017, soldados indianos e chineses passaram 72 dias num planalto estratégico dos Himalaias, na região do Butão, tendo as conversações conseguido uma retirada dos militares de ambos os lados.

A Índia e a China têm várias disputas territoriais, nas regiões de Ladakh e Arunachal Pradesh. Os dois países envolveram-se numa guerra relâmpago em 1962, na qual os soldados indianos foram rapidamente derrotados pelas tropas chinesas.

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