"Infeção só se dá por contacto direto." Casal contagia cão com varíola dos macacos

Transmissão deste tipo de vírus entre espécies não é nova.

Um casal francês contagiou o cão com o vírus da varíola dos macacos, avança a revista médica The Lancet. O animal, um galgo de quatro anos e saudável, apareceu com sintomas de infeção depois do diagnóstico dos donos porque, ao que tudo indica, o casal dormia com o cão.

A transmissão deste tipo de vírus entre espécies não é nova e, segundo o virologista Pedro Simas, é um perigo se o monkeypox encontrar um animal que se transforme no reservatório do vírus fora do continente africano.

"O vírus monkeypox é típico de algumas regiões de África e o perigo é que agora se estabeleça noutros continentes, incluindo o europeu, da mesma forma endémica. Não só nos seres humanos, mas também no reservatório natural que mantenha esse nível endémico que não seja ser humano, que é o que acontece em África. O que acontece tipicamente em África é que este é um vírus de uma espécie que não se percebe bem qual é, um pequeno roedor, talvez um esquilo, e esse pequeno roedor mantém os níveis endémicos de infeção numa determinada região geográfica e, ocasionalmente, transfere ao homem e podem haver surtos maiores ou menores. No ser humano é controlado e depois desaparece. O perigo aqui é que essa situação se venham a replicar noutros lugares do mundo", explicou à TSF Pedro Simas.

As pessoas infetadas devem, por isso, evitar não só o contacto próximo com outras pessoas mas também com animais domésticos.

"A infeção só se dá por contacto direto, portanto é fácil uma pessoa estar infetada e evitar o contacto de outras pessoas e dos animais domésticos e de companhia, nomeadamente cães e outras espécies. É possível fazer e é desejável que seja feito. A grande questão aqui é se transborda destes animais de companhia para roedores e poderá haver um roedor que consiga suster a infeção de uma forma natural, em que haja persistência da infeção nessa população nova de roedores", acrescentou o virologista.

De resto, a Direção-Geral da Saúde já recomenda que, em caso de infeção, seja evitado o contacto com animais de estimação.

De acordo com o Centro Europeu para Prevenção e Controlo de Doenças e a delegação regional da Organização Mundial da Saúde para a Europa, Portugal é o sexto país europeu com mais infeções.

Segundo a DGS, os sintomas mais comuns da infeção são febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, dor nas costas, cansaço, aumento dos gânglios linfáticos com o aparecimento progressivo de erupções que atingem a pele e as mucosas.

Uma pessoa que esteja doente deixa de estar infecciosa apenas após a cura completa e a queda de crostas das lesões dermatológicas, período que poderá, eventualmente, ultrapassar quatro semanas.

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