Foi raptada e mantida em cativeiro por seis anos. Agora, Ingrid Betancourt confronta-se com ex-sequestradores

Ingrid, hoje com 59 anos, foi libertada em 2008 na sequência de uma operação militar, depois de seis anos mantida como refém pelas FARC.

A franco-colombiana Ingrid Betancourt, refém das FARC durante seis anos na selva colombiana, confrontou-se pela primeira vez na quarta-feira com antigos membros da guerrilha marxista na Comissão da Verdade criada no âmbito dos acordos de paz de 2016.

"Nós estamos aqui, nós que transportamos as nossas feridas e os nossos mortos com a dificuldade de nos olharmos no rosto (...) com a decisão partilhada de quebrar o círculo vicioso da violência", declarou, comovida, a ex-candidata à presidência da Colômbia, símbolo internacional dos sequestros no país.

Ingrid Betancourt, de 59 anos e hoje residente fora da Colômbia, foi libertada em 2008 na sequência de uma operação militar, depois de seis anos mantida como refém pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

O acordo de paz de 2016, que colocou fim a mais de cinco décadas de conflito armado entre as FARC e o Governo, previa a criação de um tribunal especial para a paz, mas também uma Comissão da Verdade, uma entidade não judicial.

A ex-candidata, sequestrada quando estava em campanha eleitoral, criticou perante a Comissão, as declarações feitas pelos antigos guerrilheiros, que não falaram "com o coração", mas "para a política".

"Ouvi com emoção as histórias dos meus irmãos de dor (...), mas devo confessar que me surpreende que deste lado estejamos a chorar e do outro não haja uma única lágrima", declarou.

"Enquanto o nosso pesadelo for só nosso (...), estaremos sempre distantes e seremos incapazes de explicar à Colômbia o que realmente se passou", acrescentou.

"Aos que nunca voltaram do seu sequestro, aos que perderam a vida às nossas mãos, aos seus entes queridos que sofreram durante anos com a sua ausência (...) pedimos perdão pelo terrível sofrimento que causámos. Falamos com um sentimento de vergonha", respondeu Rodrigo Londoño, o último comandante da guerrilha.

Em janeiro, oito altos comandantes das FARC, entre os quais Rodrigo Londoño, foram considerados culpados de crimes contra a humanidade, pelo sequestro de 21.396 pessoas entre 1990 e 2016.

Em setembro, a direção do partido político que resultou do desmantelamento das FARC enquanto guerrilha declarou que os raptos foram "um erro muito grave", que a organização utilizava como forma de pressão política e para se financiar, através do pagamento de resgates.

Os ex-rebeldes que admitirem a sua responsabilidade perante o tribunal especial para a paz podem beneficiar de uma pena alternativa à prisão, ou serão julgados por um tribunal penal, arriscando vinte anos de prisão.

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