Padrão colocado por Diogo Cão no Cabo da Cruz vai regressar a casa

A Alemanha vai devolver à Namíbia o padrão colocado por Diogo Cão no Cabo da Cruz, em 1486, para reclamar a posse do território por Portugal.

A Alemanha vai devolver à Namíbia o padrão, com mais de 500 anos, colocado pelo navegador português Diogo Cão na costa central daquele país, anunciou esta sexta-feira a ministra da Cultura alemã, Monika Gruetters.

Apesar de o padrão ser originalmente europeu, Monika Gruetters considerou que a sua devolução pretende ser um "gesto de reconciliação" e um sinal de que a Alemanha assume responsabilidade pelo seu passado colonial.

"A devolução do padrão sinaliza claramente o reconhecimento da necessidade de reavaliar o nosso passado colonial e trabalhar em conjunto com os países de origem dos objetos coloniais para que possamos encontrar formas construtivas de compromisso e respeito uns pelos outros", disse.

Para Monika Gruetters, a "injustiça deste período" tem sido "suprimida e esquecida há demasiado tempo" na memória cultural coletiva da Alemanha. "A restituição é uma contribuição para a reconciliação e o sentido de entendimento comum com o povo da Namíbia. Ao mesmo tempo, aceitamos a responsabilidade pelo passado colonial da Alemanha", considerou.

A decisão foi bem acolhida pelo embaixador da Namíbia na Alemanha, Andreas B.D. Guibeb, que agradeceu a resposta positiva às pretensões do governo e da população namibianos.

"O regresso da Cruz original é um passo importante para nos reconciliarmos com o nosso passado colonial e o rastro de humilhação e injustiças sistemáticas que deixou", disse.

Para o diplomata namibiano, apenas "o confronto e a aceitação deste passado doloroso libertará os namibianos para consciente e confiantemente poderem confrontar o futuro".

O padrão de calcário, encimado por uma cruz com as armas da coroa portuguesa, foi colocado por Diogo Cão, em 1486, na costa central do território que hoje corresponde à Namíbia para reclamar a sua posse por Portugal.

Com mais de 500 anos, o padrão tem cerca de dois metros de altura e pesa mais de 350 quilos, tendo dado àquela zona o nome de Cabo da Cruz e assinalando a descoberta do ponto mais meridional alcançado até então pelos europeus em África.

Em 1893, quando aquela zona fazia parte do império colonial alemão, o padrão foi trazido para a Alemanha, onde permanece até hoje em exibição no Museu de História de Berlim.

O museu adiantou, em comunicado, que a decisão de devolver o padrão foi tomada numa reunião da direção realizada na quinta-feira e segue as orientações dadas nesse sentido pelo presidente do museu, Raphael Gross.

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