Telegram alvo de ataque do governo chinês durante protestos em Hong Kong

O ataque contra a aplicação​​ de mensagens encriptadas terá sido da autoria do Governo chinês, numa altura em que crescem os protestos em Hong Kong. Pelo menos 11 pessoas foram detidas.

A Telegram, uma aplicação de mensagens encriptadas informou ter sido alvo de um ataque cibernético oriundo da China, à medida que decorriam protestos em Hong Kong, contra a proposta de lei que permite extradições para o continente chinês.

A app de mensagens instantâneas Telegram revelou ter sofrido na quarta-feira problemas de conectividade, quando milhares de pessoas protestavam nas imediações do Conselho Legislativo de Hong Kong, que se preparava para debater a proposta de lei da extradição.

Os manifestantes foram dispersados pela polícia, que usou gás lacrimogéneo, spray pimenta e balas de borracha. Pelo menos 11 pessoas foram detidas e 75 foram assistidas nos hospitais da antiga colónia britânica, precisou a Reuters.

O CEO (presidente executivo) da Telegram, Pavel Durov, revelou no Twitter que a maioria dos autores do ataque têm endereços de IP oriundos da China.

"Todos os ataques da dimensão de um ator estatal que sofremos coincidiram com os protestos em Hong Kong", disse.

Ativistas em Hong Kong e na China continental costumam usar o Telegram para organizar protestos, na esperança de que a criptografia permita que escapem do controlo do regime sobre redes sociais chinesas, como o serviço de mensagens instantâneas WeChat.

Enquanto usuários do WeChat informaram esta semana que fotos dos protestos não puderam ser visualizadas, aplicativos como o Telegram oferecem mais privacidade e independência.

O Telegram está bloqueado na China continental, mas os seus usuários podem aceder através do uso de uma VPN (Virtual Proxy Network), um mecanismo que permite aceder à Internet através de um servidor localizado fora da China.

Aplicativos de mensagens encriptadas, como o Telegram, dizem que as mensagens enviadas através dos seus sistemas não podem ser intercetadas por terceiros durante a entrega ao remetente.

"Podemos garantir que nenhum governo ou país podem intrometer-se na privacidade e liberdade de expressão das pessoas", lê-se no portal oficial do Telegram.

Os gestores do aplicativo de mensagens disseram na noite de quarta-feira que o sistema se normalizou, entretanto.

O protesto em Hong Kong forçou a legislatura a cancelar as sessões de quarta e quinta-feira, adiando o debate sobre a lei de extradição.

China agradece à polícia de Hong Kong

A China apoia a forma como Hong Kong lidou com a manifestação contra a proposta de lei que permite extradições para o continente chinês, após a polícia usar gás lacrimogéneo e balas de borracha.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Geng Shuang considerou que os protestos na Região Administrativa Especial chinesa de Hong Kong "não são uma manifestação pacífica", mas antes um "flagrante tumulto organizado".

O porta-voz acrescentou que "nenhuma sociedade civilizada, regida pela lei, toleraria ações ilegais que perturbam a paz e a tranquilidade".

Geng condenou ainda a "interferência" da União Europeia (UE) nos assuntos internos da China.

A UE apelou na quarta-feira, em comunicado, para que os direitos fundamentais da população de Hong Kong "sejam respeitados" e que "a moderação seja exercida por todos os lados".

Milhares nas ruas

No domingo, centenas de milhares de pessoas protestaram contra aquela proposta de lei, com os organizadores a falarem de mais de um milhão de pessoas na rua e as forças policiais a admitirem apenas a participação de 240 mil.

Os defensores da lei argumentam que, caso se mantenha a impossibilidade de extraditar suspeitos de crimes para países como a China, tal poderá transformar Hong Kong num "refúgio para criminosos internacionais".

Os manifestantes dizem temer que Hong Kong fique à mercê do sistema judicial chinês como qualquer outra cidade da China continental e de uma justiça politizada que não garanta a salvaguarda dos direitos humanos.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio 'um país, dois sistemas', precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

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