Áudio revela discussão acalorada entre pilotos e Boeing depois do primeiro acidente

Sindicato exigia saber mais sobre o problema dos novos modelos da fabricante norte-americana, Boeing entendia que "não devia sobrecarregar equipas com informação desnecessária".

O sindicato de pilotos da American Airlines confrontou a Boeing com os problemas dos aviões 737 Max 8 depois do primeiro acidente, em outubro, e antes do segundo, em novembro.

Num áudio a que o canal norte-americano CBS teve acesso, os representantes dos pilotos exigem que a empresa tome medidas depois da queda de um avião no mar ao largo de Java, com 189 pessoas a bordo.

"Merecemos saber o que se passa com os nossos aviões", diz um piloto numa discussão acalorada. "Não discordamos", responde um representante da Boeing.

Tanto o primeiro acidente, que envolveu um avião da Lion Air, como o segundo, que meses depois envolveu um avião da Ethiopian Airlines, tiveram origem no mesmo problema.

Devido a um erro no novo sistema automático de estabilização, criado para corrigir a posição do nariz do avião - uma novidade do modelo Max 8 - os pilotos receberam leituras incorretas do sensor e a tripulação não conseguiu desligá-lo.

Em resultado, o nariz dos dois aparelhos foi forçado a baixar e levantar sucessivamente em poucos minutos minutos até que a perda de controlo foi total.

"Precisamos de estar informados"

"Aqueles tipos nem sequer sabiam que o raio do sistema estava no avião - nem ninguém." O tom é de raiva, o primeiro acidente acabara de apanhar todos desprevenidos.

O vice-presidente da Boeing, Mike Sinnett, defende que o que aconteceu ao avião da Lion Air é um caso sem exemplo.

"Não sei como mudar este sistema, podia ter mudado o que aconteceu. Talvez pilotem este avião a cada um milhão de milhas, talvez vejam isto apenas uma uma vez", defendeu, referindo-se ao novo sistema de estabilização.

"Não queremos sobrecarregar as equipas com informação desnecessária, para que eles possam de facto saber a informação que consideramos importante."

Os pilotos não ficaram satisfeitos com a resposta. "Somos os últimos na linha de defesa. Precisamos de estar informados."

Sem pressas - para "ter a certeza que as coisas certas eram corrigidas" -, a Boeing prometeu fazer alterações no software nas seis semanas seguintes.

A mudança ainda estava curso quando o segundo 737 Max se despenhou na Etiópia com 157 pessoas a bordo.

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