Boris Johnson e Jeremy Hunt: quem são os candidatos a suceder a May?

Do carisma de Boris Johnson à competência de Jeremy Hunt, um deles é o próximo primeiro-ministro do Reino Unido.

Está definido: Boris Johnson ou Jeremy Hunt, um deles vai suceder a Theresa May no cargo de primeiro-ministro britânico. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros é visto como o preferido, mas Jeremy Hunt, atual ministro a cargo dessa mesma pasta pode surpreender na eleição interna do Partido Consevador. Quem são, afinal, os senhores que se seguem?

O controverso Boris Johnson

Considerado um dos mais carismáticos e populares políticos britânicos, mas também uma personagem controversa e divisiva, o antigo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson é o favorito para suceder a Theresa May como chefe do governo.

Na quarta-feira, o líder parlamentar dos nacionalistas escoceses, Ian Blackford, pôs em causa a idoneidade de Johnson para se tornar primeiro-ministro, por ter usado expressões como "caixas de correio" para descrever mulheres muçulmanas que usam o 'niqab', véu que cobre a cara e cabelo exceto os olhos, e "sorrisos melancia" para africanos.

"Se isso não é ser racista, não sei o que é", acusou, sob protestos, no parlamento.

Os exemplos de termos insultuosos usados são numerosos e não pouparam líderes como o presidente turco Recep Erdogan, sobre o qual Boris Johnson referiu ter um interesse sexual em cabras, ou o ex-presidente norte-americano George W. Bush, a quem chamou "texano belicista estrábico".

Quando foi ministro dos Negócios Estrangeiros, Johnson disse erradamente que a anglo-iraniana Nazanin Zaghari-Ratcliffe, detida pelas autoridades iranianas, tinha ido ao país dar aulas de jornalismo, o que, alegadamente, terá contribuído para agravar a sentença de prisão.

Porém, Boris Johnson, 55 anos, é considerado um dos heróis do 'Brexit', não só por ter protagonizado a campanha vitoriosa durante o referendo de 2016 que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), mas também por ser um crítico da estratégia de Theresa May.

Nascido em Nova Iorque, nos Estados Unidos, mas com antepassados turcos, Alexander Boris de Pfeffel Johnson estudou no colégio interno de Eton, que educou muitos primeiros-ministros, aristocratas e membros da realeza britânicos e, mais tarde, na universidade de Oxford.

Antes de entrar na política, foi jornalista, primeiro no diário conservador The Times, do qual foi despedido por ter inventado uma citação, e depois no Daily Telegraph, onde se destacou como correspondente em Bruxelas devido aos artigos críticos das instituições europeias.

O antigo editor do Times Martin Fletcher escreveu na revista New Statesman que Boris Johnson tinha como missão inflamar o euroceticismo e "desacreditar a UE em todas as oportunidades" e nas últimas semanas tem reiterado a desconsideração pelo deputado conservador.

"Este charlatão está agora descaradamente a aproveitar a crise nacional que ele ajudou a provocar através de mentiras, do seu jornalismo anti-UE e mentiras durante a campanha do referendo", afirmou.

Porém, 'Bojo', como é conhecido, tem no currículo sucessos eleitorais, como as duas eleições como 'mayor' de Londres contra o trabalhista Ken Livingstone, cujos mandatos incluem os Jogos Olímpicos de 2012 e a introdução de novos autocarros e bicicletas de aluguer.

Uma sondagem publicada na semana passada pelo diário Daily Telegraph indicava que, com ele à frente, o partido Conservador seria capaz de vencer umas eleições legislativas com uma maioria absoluta.

Este resultado seria possível graças ao voto dos eurocéticos, mas também de eleitores desconfiados com as políticas de esquerda do líder trabalhista, Jeremy Corbyn, que incluem a nacionalização de empresas de energia e de transportes.

Boris Johnson tem invocado a determinação em implementar o 'Brexit' até 31 de outubro, não excluindo uma saída sem acordo.

"Existe uma escolha real entre implementar o 'Brexit' ou a potencial extinção deste partido. Eu acredito que sou o mais bem colocado para levantar este partido, vencer Jeremy Corbyn e colocar (Nigel) Farage (líder do Partido do Brexit) de novo na caixa", resumiu, quando lançou a campanha para suceder a Theresa May.

Hunt aposta na credibilidade

Jeremy Hunt, ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido e segundo finalista na eleição interna para suceder a Theresa May na liderança do partido Conservador, é considerado um político experiente e competente, mas sem o carisma de Boris Johnson.

Nascido na região de Surrey, a sul de Londres, Hunt, de 52 anos, estudou num colégio interno e depois Filosofia, Política e Economia na Universidade de Oxford e passou dois anos a ensinar inglês no Japão, tornando-se fluente na língua asiática.

Durante esta campanha, tem invocado o seu espírito de empreendedor, pois fundou uma empresa de relações públicas e uma editora antes de entrar para a política e ser eleito como deputado, em 2005.

Em 2010 foi chamado por David Cameron para o Governo, para ministro da Cultura, e evidenciou-se incluir a pasta do Desporto numa altura em que o país estava a preparar os Jogos Olímpicos de Londres de 2012, cuja organização foi considerada um sucesso.

Dois anos depois foi promovido para o Ministério da Saúde na sequência de uma remodelação governamental, com a missão de continuar a implementar medidas de austeridade e reformar o sistema.

Protagonizou um braço-de-ferro com os médicos de família em início de carreira ao querer renegociar as condições dos contratos, impondo turnos aos fins de semana e noites, o que os levou a fazer greve.

No início de 2018, resistiu a ser transferido para outra pasta, tendo convencido a primeira-ministra, Theresa May, a mantê-lo na Saúde, com responsabilidades adicionais nos cuidados sociais, mas em setembro acabou por passar para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, para substituir o demissionário Boris Johnson.

Embora tenha feito campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia (UE) no referendo de 2016, Hunt converteu-se ao 'Brexit' e acredita que o país pode "prosperar", mesmo sem um acordo, embora mantenha como prioridade uma saída ordenada, e, por isso, admita um novo adiamento.

"Se chegássemos ao dia 31 de outubro, e não houvesse perspectiva de um acordo para a saída da UE, então eu sairia sem um acordo. Se houvesse uma perspectiva, se estivéssemos quase lá, eu demoraria um pouco mais", disse, durante o debate televisivo de terça-feira na BBC.

Dentro do Governo, Hunt tem o apoio tanto da ministra da Defesa, a eurocética Penny Mordaunt, e da ministra do Trabalho, a pró-europeia Amber Rudd, o que contribui para um perfil de candidato unificador do partido.

A sua campanha apoia-se também na sua experiência como chefe da diplomacia e relacionamento com líderes internacionais, como Angela Merkel e Donald Trump.

Numa referência velada à personalidade controversa de Boris Johnson, muitas vezes criticado por falta de um currículo sólido enquanto político, Jeremy Hunt assumiu-se também como um "líder sério" para negociar com Bruxelas e evitar ao mesmo tempo a extinção do partido Conservador.

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