Desenha-se nova guerra no Golfo? Como o Irão está a deixar o mundo em alerta

O encontro entre forças iranianas e milícias iraquianas já teve impacto ao nível da segurança de três países que se consideram ameaçados. Estados Unidos, Reno Unido e Iraque estão em alerta. Bagdade pode mesmo vir a ser o palco do conflito entre Teerão e Washington.

Os EUA enviaram novas armas e tropas para a zona, depois de o Irão ter suspendido partes do acordo nuclear - que, por pouco tempo, foi a saída do país para o isolamento económico e diplomático. A população iraniana, desesperada por alívio das dificuldades financeiras - em parte causadas pelas sanções dos EUA -, estão a reagir em desafio, mas sem confrontações físicas, num momento em que os dois países parecem preparar-se para o confronto.

O líder militar mais proeminente do Irão encontrou-se recentemente com as milícias iraquianas em Bagdade e incitou-as a "prepararem-se para uma guerra por procuração", segundo apurou o The Guardian .

Duas fontes dos serviços secretos avançaram ainda que Qassem Suleimani, líder da poderosa força de Quds do Irão - uma unidade especial do Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica -, convocou as milícias sob a influência de Teerão, há três semanas, o que aumentou o nível de tensão na região. Os interesses de Washington podem estar em perigo, à medida que o Irão agrupa aliados regionais.

Apesar de Suleimani se ter encontrado regularmente com líderes xiitas do Iraque durante os últimos cinco anos, o tom das convocatórias tem sido agora diferente. "Não foi uma chamada às armas, mas foi muito perto disso", revelou uma fonte das forças militares à publicação britânica. A reunião despoletou um frenesim nas atividades diplomáticas entre os EUA, o Reino Unido e o Iraque, e os três Estados acreditam que Bagdade venha a ser a arena dos conflitos.

O encontro entre forças iranianas e iraquianas já teve impactos ao nível da segurança dos três países ameaçados. O s Estados Unidos ordenaram a retirada de emergência de diplomatas norte-americanos das embaixadas de Bagdade e Erbil. O Reino Unido elevou os níveis de risco para as tropas britânicas no Iraque na última quinta-feira. O perigo estende-se ao Golfo Pérsico, onde mais de uma década de disputas de influência e equilíbrios de forças podem descontrolar-se num confronto direto entre Teerão e Washington.

As atividades dos representantes iranianos no Médio Oriente têm indignado Trump, que este mês acusou a Jihad Islâmica da Palestina - um grupo que o Ocidente designa como terrorista, financiado pelo Irão e pelo Hezbollah, do Líbano - como parcialmente responsável por explosivos lançados por Gaza para atingir Israel.

Apesar das tentativas do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, de tranquilizar os iranianos - no início desta semana, assegurou que os EUA "não querem a guerra" -, a convicção de que os aliados da Casa Branca estão em conspiração cresce entre a população. A crença de que os EUA e os seus aliados do Golfo - Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita - há muito preparam uma guerra com o Irão já está generalizada, como reporta a CNN.

O secretário de Estado Mike Pompeo já garantiu que os EUA não desejam um conflito, mas a campanha diplomática e económica do Governo contra o Irão está a causar agitações que podem vir a penalizar os Estados do Médio Oriente, que já se preparam para o pior.

- Saiba mais sobre as tensões entre Irão e Estados Unidos

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