OpenArms declina oferta de Espanha dada "situação insustentável" a bordo

O Open Arms está ao largo da ilha italiana de Lampedusa desde 1 de agosto, quando resgatou 147 migrantes do Mar Mediterrâneo, ao largo da Líbia, mas os dois países mais próximos, Itália e Malta, recusaram-lhe o acesso aos seus portos.

Uma porta-voz da Open Arms afirmou este domingo que a organização não-governamental (ONG) não quer navegar até Algeciras, como propôs Espanha, dada a "situação insustentável" a bordo, onde mais de cem migrantes esperam por desembarcar há 17 dias.

"A situação é absolutamente insustentável", disse Laura Lanuza à agência Associated Press.

"Há ansiedade, episódios de violência, o controlo da situação é cada vez mais difícil. Iniciar uma viagem de seis dias com estas pessoas a bordo, que estão no limite das suas possibilidades, seria uma loucura. Não podemos pôr a saúde e a vida delas em risco", disse.

O fundador da ONG, Óscar Camps, divulgou uma mensagem no Twitter no mesmo sentido.

"Depois de 26 dias de missão, 17 dias de espera com 134 pessoas a bordo, uma resolução judicial a favor e 6 países dispostos a acolher, querem que naveguemos 950 milhas, uns 5 dias mais, até ao porto mais distante do Mediterrâneo, com uma situação insustentável a bordo?", questionou. "Estamos a avisar há dias, o desespero tem limites. Lançam-se ao mar e os socorristas tentam pará-los", escreveu.

O Governo de Espanha propôs este domingo receber o navio humanitário Open Arms em Algeciras (sul) face à "inconcebível" recusa de Itália em autorizar o desembarque dos 107 migrantes resgatados do mar há 17 dias.

O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, "ordenou este domingo a habilitação do porto de Algeciras para receber o navio Open Arms" devido à "situação de emergência a bordo" e à "inconcebível" atuação das autoridades italianas, anunciou o Governo de Madrid num comunicado.

"A inconcebível resposta das autoridades italianas, e em concreto do ministro do Interior, Matteo Salvini, de fechar todos os seus portos, e as dificuldades expostas por outros países do Mediterrâneo Central, levaram Espanha a liderar mais uma vez a resposta a uma crise humanitária", acrescenta.

O texto frisa que "os portos espanhóis não são nem os mais próximos nem os mais seguros para o Open Arms, como os próprios responsáveis do navio têm repetido, mas neste momento Espanha é o único país disposto a acolhê-lo no quadro de uma solução europeia".

"A situação dos migrantes do Open Arms causou, desde o primeiro momento, grande preocupação no executivo, cujo propósito foi encontrar a melhor solução comum que, após a receção do navio, prosseguirá com a repartição dos migrantes acordada por seis países membros, entre eles Espanha", refere ainda o comunicado.

O Open Arms, operado pela ONG espanhola Proativa Open Arms, está ao largo da ilha italiana de Lampedusa desde 1 de agosto, quando resgatou 147 migrantes do Mar Mediterrâneo, ao largo da Líbia, mas os dois países mais próximos, Itália e Malta, recusaram-lhe o acesso aos seus portos.

Atualmente, estão 107 migrantes e 19 voluntários a bordo, depois de, no sábado, a Itália ter autorizado a retirada de 27 menores não-acompanhados e de várias operações para retirar do navio pessoas a precisar de assistência médica urgente.

Um vídeo publicado na página de Facebook da Proactiva Open Arms mostra vários migrantes a atirarem-se ao mar, desesperados com o impasse que têm vivido nos últimos 17 dias.

Apesar de, na quinta-feira, seis países europeus - Portugal, Espanha, Alemanha, França, Luxemburgo Roménia - se terem oferecido para receber os migrantes a bordo do navio humanitário, o Open Arms continua sem autorização do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, para aportar.

No comunicado, Espanha volta a sublinhar "o intenso labor dos navios espanhóis na sua zona de responsabilidade", que "certificam o cumprimento dos tratados internacionais", afirmando que "entre 2018 e 2019, os serviços de salvamento marítimo [...] resgataram e conduziram a portos espanhóis mais de 60.000 pessoas".

"Espanha é hoje, com grande diferença, o país da União Europeia que mais resgates realiza no Mediterrâneo", afirma o comunicado.

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