Espionagem na Coreia do Norte. Mais de 300 sites com relatos de execuções

Os delatores são mais de 600 cidadãos que desertaram do regime norte-coreano. As cenas de execução terão sido, por vezes, presenciadas por centenas de pessoas.

O Grupo de Trabalho de Justiça Transicional (TJWG), uma organização de defesa dos direitos humanos, detetou centenas de sites com relatos de testemunhas que presenciaram execuções públicas e estatais por parte do Governo da Coreia do Norte.

São mais de 320 sites, identificados durante uma investigação de quatro anos e a partir de entrevistas a cerca de 600 desertores do regime. Os testemunhos dão conta de um arbitrário abuso da pena de morte, como forma de intimidar os cidadãos.

"As execuções públicas servem para lembrar as pessoas sobre as posições políticas específicas que o Estado tem", analisou a diretora de pesquisa do TJWG, Sarah A Son, em entrevista ao jornal norte-americano The Guardian . "Mas o segundo e mais poderoso objetivo é incutir uma cultura de medo entre os cidadãos."

Os membros expurgados da elite estão entre os executados em público, como é o caso do tio do líder Kim Jong-un, Jang Song Thaek, em 2013.

No entanto, as acusações mais comuns contra os condenados variam entre "roubar cobre e gado" e outras atividades menos "pró-estatais", tais como atravessar ilegalmente a fronteira com a China, denunciou o grupo.

O levantamento dos 610 desertores norte-coreanos que vivem agora na Coreia do Sul inclui 19 relatos de mais de 10 pessoas executadas ao mesmo tempo.

Aliás, em diversas ocasiões, as cenas eram presenciadas por multidões de centenas de pessoas, e, às vezes, por mil ou mais cidadãos, que se reuniam para assistir às execuções. Há até um relato de uma criança de sete anos incluída num desses momentos.

O grupo descobriu que 35 relatos de execuções públicas vieram de "um local não identificado, na margem de um rio", onde os assassinatos acontecem todas as décadas desde 1960. Seis das execuções ocorridas nessa zona foram por enforcamento e 29 por fuzilamento, segundo o Grupo de Trabalho de Justiça Transicional.

A agência Reuters não conseguiu confirmar de forma independente nenhum dos números do relatório apresentado pelos desertores da Coreia do Norte. Este mais recente relatório foi realizado com investimentos do National Endowment for Democracy, com sede em Washington, por sua vez, financiado pelo Congresso dos EUA.

Sarah A Son afirmou que os desertores entrevistados pelo grupo incluíam funcionários do Ministério da Segurança Popular e do Ministério da Segurança do Estado, bem como secretários do partido e membros de organizações comunitárias locais.

Em maio deste ano, surgiram também denúncias de expulsões de altos funcionários da Coreia do Norte, que estavam envolvidos nas negociações nucleares de Pyongyang com Washington. O relatório foi mais tarde questionado quando algumas figuras que aparentemente foram enviadas para exílio ou mandadas matar reapareceram em público.

Os órgãos de comunicação estatal norte-coreana não teceram comentários sobre o relatório de execuções, mas apressaram-se a defender que as críticas anteriores ao histórico de direitos humanos norte-coreano faziam parte de uma campanha liderada pelos EUA para manchar o regime e fomentar a instabilidade política.

O meio-irmão assassinado de Kim Jong-un foi um informante da CIA

Kim Jong-nam, o meio-irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un, que foi morto na Malásia em 2017, foi um informante da CIA, segundo a publicação The Wall Street Journal.

O jornal norte-americano citou uma "pessoa informada sobre o assunto" para o relatório, e defendeu que muitos detalhes do relacionamento de Kim Jong-nam com a CIA continuavam ainda obscuros. No entanto, existem indícios de que "havia uma ligação" entre a CIA e Kim Jong-nam.

De acordo com a fonte do jornal, Kim Jong-nam viajou até à Malásia em fevereiro de 2017 para encontrar o seu contacto direto com a CIA, embora não tenha sido esse o único objetivo da viagem.

Duas mulheres foram acusadas de envenenar Kim Jong-nam através da substância VX líquida atirada ao rosto do familiar do líder norte-coreano, no aeroporto de Kuala Lumpur, em fevereiro de 2017.

Ex-funcionários do regime denunciaram também que Kim Jong-nam esteve em contacto com os serviços de segurança de outros países, como a China.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, e Kim Jong-un encontraram-se duas vezes, em Hanói, no Vietname, em fevereiro, e em Singapura, em junho, num esforço de diplomacia que não chegou a culminar num acordo para suspender as sanções norte-americanas.

A agência dos Estados Unidos (CIA) recusou-se a comentar esta ligação.

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