Nacionalismo é "bom senso". "Extremistas são os que têm governado a Europa"

O líder da extrema-direita italiana, Matteo Salvini, defendeu num comício, em Milão, que os partidos nacionalistas europeus praticam uma "política do senso comum", e afirmou que os extremistas são aqueles que lideram a Europa há duas décadas.

Matteo Salvini considera que os nacionalistas europeus praticam apenas aquela que é uma prática de senso comum, e apelidou de extremistas os outros partidos que têm governado a Europa.

"Não há aqui extrema-direita, mas uma política do senso comum. Os extremistas são aqueles que têm governado a Europa nos últimos 20 anos", declarou o líder do partido Liga e vice-primeiro-ministro do Governo de coligação italiano, num comício realizado numa das principais praças de Milão (norte de Itália), que contou com a presença de outros 11 partidos nacionalistas de direita europeus, inclusive o francês União Nacional, liderado por Marine Le Pen, e o holandês PVV de Geert Wilders.

"Não há aqui extremistas, racistas e fascistas. A diferença é entre aqueles que olham para a frente, aqueles que falam sobre o futuro e trabalham e aqueles que fazem processos do passado. [...] Nós estamos a construir o futuro", declarou Salvini, citado pelas agências italianas e internacionais.

Este comício promovido por Salvini, que também assume o cargo de ministro do Interior, é realizado a uma semana das eleições europeias (agendadas de 23 a 26 maio nos 28 países da União Europeia) e surge dos planos do político italiano de querer formar uma aliança nacionalista parlamentar após o escrutínio.

Projeções recentes indicam que esta futura aliança de nacionalistas poderá tornar-se na terceira força política no futuro Parlamento Europeu (PE).

O comício ficará, no entanto, marcado pelo escândalo que atingiu este sábado o líder do partido de extrema-direita FPÖ e número dois do Governo austríaco, Heinz-Christian Strache, que foi gravado, por uma câmara oculta, a prometer a uma suposta sobrinha de um milionário russo a adjudicação de contratos públicos em troca de apoio financeiro para a formação política.

No seguimento destas revelações, o vice-chanceler austríaco anunciou no mesmo dia a sua demissão.

Ao mesmo tempo que decorria o comício promovido por Salvini, as agências internacionais relatavam que noutra zona de Milão estava a acontecer uma contramanifestação com o objetivo de "contrariar a onda soberana e nacionalista" do líder da Liga.

Durante a sua intervenção no comício, que reuniu uma multidão pouco expressiva segundo a imprensa internacional, Salvini prosseguiu afirmando que "os extremistas são os da especulação, do desemprego e aqueles que tentaram provar que não havia alternativa à precariedade".

A primeira proposta que deseja apresentar no PE, acrescentou, será a "Carta dos Direitos dos Povos Europeus", na qual estarão consagrados os direitos do trabalho, da felicidade e da saúde.

"A Europa das nações, da democracia - terá de ser central novamente no PE, que é a única instituição que é livremente escolhida", afirmou o político italiano, desejando a vitória do grupo parlamentar Europa das Nações e das Liberdades (composto por nacionalistas, eurocéticos e populistas de extrema-direita) depois de tantos anos "de desastres" de "uma elite contra o povo".

As migrações não foram esquecidas e Salvini assegurou: "Se formos o primeiro partido na Europa, a política anti-imigração chegará a toda Europa e mais ninguém entrará aqui".

O líder da Liga acabou a sua intervenção com referências às raízes católicas da Europa, exibindo um rosário nas mãos e confiando a sua vida "ao coração imaculado de Maria", que irá ajudá-lo, segundo o próprio, a alcançar a vitória.

Antes de Salvini, falaram alguns dos políticos internacionais convidados para este comício de forças nacionalistas. Foi o caso de Marine Le Pen, que afirmou, numa intervenção muito aplaudida, que a atual UE submete os Estados a uma "oligarquia sem raízes".

"Não queremos essa oligarquia sem raízes e sem alma que nos dirige com a ambição de querer a submissão das nossas nações", declarou a líder da União Nacional. Le Pen também atacou a imigração, e defendeu que "submete os países e coloca em perigos os povos".

"A Europa pode encontrar a sua coerência e a sua força apenas nas nações que a compõem", reforçou a política francesa, lançando um último apelo: "Em 26 de maio, levaremos a revolução a toda a Europa. Em 26 de maio, iremos devolver o poder aos povos e a Europa voltará a levantar a cabeça".

Outra intervenção da tarde foi a do líder do Partido pela Liberdade (PVV) holandês, Geert Wilders, que defendeu a necessidade de travar "a islamização da Europa". "Para sermos pessoas livres, devemos ser fortes. Temos de defender as nossas nações, ter mais soberania nacional e assumir a responsabilidade dos nossos países", disse Wilders.

O político holandês criticou aquilo que considera ser "as ordens das super-estrelas" da UE e frisou: "Chega de imigração. Chega de Islão".

Geert Wilders teve ainda tempo para elogiar Matteo Salvini, "um exemplo" por causa das suas posições políticas em matérias relacionadas com as migrações.

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