ONU propõe seis soluções para acabar com a Fome

O Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura está preocupada com o impacto que os alimentos andam a causar na nossa saúde e na do planeta. Como tal, esta semana apresentou seis propostas que visam otimizar a agricultura mundial.

"A inovação agrícola pode desempenhar um papel fundamental na criação de um mundo sem fome." A mensagem foi transmitida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) aos participantes da 'Seeds&Chips Summit', em Milão, Itália.

"A inovação agrícola é um elemento-chave que pode transformar radicalmente os sistemas alimentares, proporcionando oportunidades de negócios relacionados com a agricultura, empregos para os jovens e mulheres rurais e promover o crescimento da economia nacional" , afirma a diretora-geral adjunta da FAO, a cabo-verdiana Maria Helena Semedo.

A responsável da FAO destacou também a necessidade de adotar sistemas agrícolas mais sustentáveis, alterando a forma de cultivar, partilhar, preparar e consumir os alimentos. A este respeito, pediu aos governos a adoção de normas e padrões que promovam os alimentos saudáveis e nutritivos.

"O mundo precisa de um pacto global contra a obesidade que leve em conta o local e a alimentação tradicional. Adotar padrões globais para uma dieta saudável e diminuir a proliferação de dietas pobres que invadiu os nossos estilos de vida", afirmou.

"Já percorremos um longo caminho. Mas, em certo sentido, o nosso progresso parece ser a nossa desgraça. Aprendemos a cultivar alimentos, mas a abundância do que está nas nossas mesas mata-nos lentamente. As dietas pouco saudáveis são uma das principais causas de doença, invalidez e morte no mundo", acrescentou.

Maria Helena Semedo elogiou o papel da agricultura familiar que, embora precária, muitas vezes pobre em alimentos, produz mais de 80% dos alimentos do mundo e cuida de três quartos dos recursos naturais do planeta. A FAO lançou a Década da Agricultura Familiar da ONU no final de maio.

Soluções para acabar com a fome

Durante esta quinta edição da 'Seeds&Chips Summit' , que reúne mais de 350 empresas e organizações, a FAO apresentará uma série de soluções inovadoras para a agricultura que tem desenvolvido e implementado com sucesso em diferentes regiões.

Uma aplicação móvel que ajuda os agricultores a identificar, monitorar e gerenciar a lagarta, uma praga devastadora que se alimenta das culturas. A aplicação, que é atualmente utilizada por agricultores na África Subsaariana e partes da Ásia, não precisa de internet ou rede móvel e 'fala' 14 línguas.

O recurso a insetos estéreis

A tecnologia nuclear que impede a reprodução de pragas de insetos foi utilizada pela primeira vez para erradicar uma invasão de mosca da fruta, na República Dominicana, evitando potenciais perdas de alimentos significativas. A organização das Nações Unidas e parceiros estão a considerar expandir o uso contra outras pragas, e mosquitos que transmitem doenças.

Tecnologia 'blockchain' utilizada na cadeia de abastecimento de café

O 'blockchain' liga todos os intervenientes na cadeia de distribuição de café, do agricultor ao consumidor, garantindo total transparência e melhorar a justiça na cadeia de valor. Na Etiópia, por exemplo, cerca de 400 pequenos agricultores participam no programa FairChain programa. Ao aplicar a tecnologia 'blockchain', 45% do valor de cada taça de café FairChain permanece na Etiópia, cerca de quatro vezes mais do que se as multinacionais cuidarem da distribuição.

Hidroponia de baixa tecnologia

Esta tecnologia permite o cultivo de plantas em ambientes áridos. Esta técnica utiliza 90% menos de água e 75% menos espaço. Pastores vulneráveis e cooperativas na Cisjordânia e Gaza usam hidroponia para o cultivo de forragens, misturada com suplementos de concentrados secos reduz o custo da alimentação dos animais em cerca de 30%.

Outra das propostas tem a ver com os drones,que contribuem para cortar produção, avaliar danos causados por catástrofes naturais, deteção de pesca ilegal e apoio à conservação da vida selvagem.

Moda Azul: o aproveitamento da pele de peixes e algas para a confeção de roupas e acessórios, que seriam descartadas como lixo ou vendidos. A iniciativa está a gerar emprego nas comunidades de algumas das áreas mais pobres do Quénia.

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