Atacadas e estigmatizadas por todos. As crianças albinas de Moçambique

Crianças albinas raramente chegam à idade adulta. São vítimas de discriminação, assassinadas e particularmente suscetíveis ao cancro de pele.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) denunciou esta quinta-feira casos de discriminação e estigmatização a crianças com albinismo na província de Tete, no centro de Moçambique.

"As crianças que vivem com o albinismo na província central de Tete são amplamente discriminadas, estigmatizadas e frequentemente rejeitadas na escola, na comunidade e, por vezes, pelas suas próprias famílias", escreve a HRW num relatório enviado às redações.

Mas Moçambique até tem tomado "atitudes exemplares" face ao que se passa no resto do continente africano, destaca Margarida Guerreiro, da Associação de Apoio ao Albinismo Kanimambo em declarações em direto na TSF.

O rapto de crianças com albinismo, usadas por curandeiros em rituais de feitiçaria ainda é um problema em África, mas no ano passado em Moçambique 40 pessoas foram presas e há três anos houve uma "sentença exemplar": 35 anos de prisão para dois homens, "uma consequência rara", explica a responsável.

"Não há este tipo de julgamentos, este tipo de penas", explica. Normalmente os detidos são libertados passadas 24 horas por ausência de provas.

Além de serem vítimas de ataques, estigma e discriminação, os albinos são particularmente sensíveis à exposição solar devido à falta ou defeito de uma enzima envolvida na produção de melanina. Lesões e cancro de pele são problemas frequentes.

Regra geral, as crianças africanas com albinismo não chegam à idade adulta, explica Margarida Guerreiro. "Para salvar vidas é preciso ter uma abordagem precoce" e apostar na prevenção.

"Por volta dos 10, 12, 14 anos infelizmente os casos são dramáticos e não tem um final positivo", lamenta.

A onda de ataques contra portadores de albinismo teve o seu pico em Moçambique entre 2014 e 2015. Durante aquele período, a HRW diz ter recebido relatos de pelo menos 100 ataques registados em 2015, casos cujas causas estão associadas à superstição.

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