Joaquim Chissano na TSF: Ajuda a Moçambique "está muito aquém do que foi calculado"

Liderou um país em guerra, fez a paz e foi presidente da república durante quase vinte anos. Joaquim Chissano, antigo chefe de estado de Moçambique, está em Coimbra, para o lançamento formal da Academia Sino-Lusófona, uma iniciativa da Universidade de Coimbra. Meses após o ciclone Idai que arrasou parte do território moçambicano, a entrevista na TSF.

Quase com oitenta anos mas com disposição para iguarias da mesa na Bairrada durante a tarde, senta-se a conversar com a TSF na biblioteca da Quinta das Lágrimas, em Coimbra, cidade onde por estes dias é o convidado de honra para o lançamento da iniciativa da reitoria da mais antiga Universidade portuguesa.

Meses após o ciclone Idai, que devastou parte do território moçambicano, o ex-chefe de estado que sucedeu a Samora Machel afirma que a ajuda a Moçambique não chega para as necessidades, é insuficiente, o esforço deve continuar, após a mais recente cimeira de doadores: "conseguiu-se a promessa de mil e duzentos milhões de dólares, o que está muito aquém do que foi calculado, que ultrapassa os três mil milhões de dólares". Em maio Chissano tinha feito um apelo a uma maior solidariedade dos países mais ricos, mas na verdade defende que o esforço deve ser coletivo e global: "Neste tipo de coisas a solidariedade não vem só dos mais ricos, vem de todos. Em Moçambique, o movimento de solidariedade não vem dos mais ricos; gente pobre dá o que pode dar".

Numa entrevista em que, além da cooperação com a China no espaço lusófono, aborda temas como a corrupção no sistema político e a inexistência de um país perfeito, porque imune ao fenómeno, cujo modelo possa ser copiado, mas também a reconciliação "entre todos os moçambicanos e não apenas entre a FRELIMO e a RENAMO", o ex-presidente Joaquim Chissano defende que as amnistias são uma forma de parar a violência e fala nos casos de países africanos que ajudou a pacificar, mas não admite que essa deva ser a solução sempre, por exemplo para a crise, ocorrida entre as forças de segurança e guerrilheiros do maior partido da oposição, que assolou o centro do país, entre 2015 e 2016.

De uma coisa, Chissano não tem dúvidas: Filipe Nyusi merece um segundo mandato: "Merece ter dois mandatos, pelo menos. Pelo menos. Ele fez muita coisa, se algo não correu bem, deve ser-lhe dada a chance de poder corrigir as coisas. Teve um plano bem conseguido, que foi bastante aplaudido, é óbvio que há dificuldades aqui e acolá, temos que lhe dar uma oportunidade. Mesmo dois mandatos, nas circunstâncias de um país como o nosso. É pouco tempo".

Nesta entrevista exclusiva à TSF, Joaquim Chissano fala do histórico "adversário" Afonso Dlhakama, mas também de Samora Machel Filho, que recentemente desafiou a FRELIMO e que pode aparecer com um novo partido nas eleições gerais de outubro. Aos 79 anos, seja por Moçambique, seja por África, quer continuar a fazer o que faz atualmente: "ajudar à paz".

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