Milhares de jovens voltam a protestar em Hong Kong

Manifestantes armaram barricadas e taparamm câmaras de videovigilância em frente ao Conselho Legislativo.

Milhares de jovens com máscaras, munidos de óculos protetores, alguns com 'walkie talkies' para contornar a falta de acesso à internet, armaram esta quarta-feira barricadas e taparam as câmaras de videovigilância no centro do protesto em Hong Kong.

"Estamos a pedir ao Governo que abandone a proposta de lei que permite a extradição [de suspeitos de crimes] para a China", explicou à Lusa um dos manifestantes e estudante universitário de medicina Alan Patrick.

"O maior medo que tenho é que Hong Kong se torne numa cidade chinesa como as outras. (...) Se a lei passar os chineses podem forçar as suas leis" na antiga colónia britânica, acrescentou, no meio dos manifestantes que entoavam palavras de ordem à frente do Conselho Legislativo (LegCo), onde as emendas à lei da extradição voltaram esta quarta-feira a ser debatidas.

"A população de Hong Kong está só a pedir democracia e liberdade para as futuras gerações", concluiu, a poucos metros de um grupo de jovens que escalava uma estrutura para tapar as lentes das câmaras de videovigilância com as páginas dos jornais do dia que dão destaque ao protesto agendado para hoje.

Andrew Yiu, outro jovem de 23 anos, sublinhou o facto de se ter equipado para qualquer confronto com as forças de segurança, sobretudo depois dos momentos mais tensos que se viveram na manifestação de domingo que, segundo os organizadores, juntou mais de um milhão de pessoas nas ruas do território semi-autónomo administrado pela China.

Caso os manifestantes entrem no edifício do Conselho Legislativo, explicou, a máscara, os óculos de proteção e o 'walkie talkie' podem vir a ser "muito úteis".

"Por que razão devo ter medo da polícia? Estou a fazer o que é correto para Hong Kong, não é só por mim", sustentou.

Kelly Wong, de 30 anos, quase não se faz perceber no meio do ruído ensurdecedor da multidão, mas conseguiu explicar de um fôlego a oposição às alterações à lei da extradição para países como a China, com os quais não existe um acordo prévio: "Não concordamos com a lei porque não protege os nossos direitos humanos".

Isaac Tsang é o diretor executivo de um sindicato que representa trabalhadores ligados à área social. Num acessos aéreos ao complexo do Conselho Legislativo, montou com a sua equipa um espaço para fornecer informações e dar apoio aos manifestantes, sobretudo se existir uma intervenção policial.

"Estamos a organizar uma greve (...) porque todos se opõem. (...) É uma mensagem muito forte para o Governo de Hong Kong dos cidadãos para que pelo menos adiem o processo", afirmou.

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