Líder do Unidos Podemos acredita que socialistas espanhóis vão ceder

Pablo Iglésias manifestou total convicção de que até ao dia 22, o dia da investidura do novo Governo espanhol, Pedro Sánchez vai ceder em alguns aspetos ao Podemos, que insiste em integrar o próximo Executivo.

A porta-voz do partido Unidos Podemos, a quarta força política nas últimas eleições espanholas, anunciou esta sexta-feira uma consulta interna para validar junto dos militantes o interesse em aceitar a proposta de acordo de governação feita pelos socialistas.

Esta proposta passa pelo apoio parlamentar a um Governo do PSOE, mas sem elementos do Podemos no Executivo, ou, pelo menos, sem elementos da sua direção política, o que exclui o cenário de ter Pablo Iglésias como vice primeiro-ministro de Espanha.

A porta-voz do Unidos Podemos não incluiu nas perguntas desta consulta interna a possibilidade de serem indicados elementos de perfil mais técnico por parte do Podemos.

Também durante a manhã, numa entrevista na TVE, Pablo Iglésias manifestou total convicção de que até ao dia 22, o dia da investidura do novo Governo espanhol, Pedro Sánchez vai ceder em alguns aspetos ao Podemos, e, pela primeira vez na democracia espanhola, aceitar formar um governo de coligação. Pablo Iglésias só considerou, até ao momento, integrar alguns elementos do Unidos Podemos que ajudem a fortalecer as diferentes pastas do Executivo.

"Creio que temos de respeitar o que dizem os cidadãos. Durante muitos anos, em Espanha, os cidadãos confiaram em dois partidos, mas agora acabaram com o bipartidarismo. O partidarismo traz corrupção e abusos", afirmou Pablo Iglésias durante a entrevista televisiva.

O secretário-geral do Podemos considerou também que, "quando um partido governa sozinho, o abuso de poder é mais usual". "Foi isto que os cidadãos disseram: nós não somos como há 20 ou 30 anos."
votaram em pelo menos seis partidos

"Partilhem o poder." É esta a mensagem que, na perspetiva de Pablo Iglésias, os espanhóis estão a tentar transmitir ao Governo.

Sobre a possibilidade de eleições, o representante de Pablo Iglésias afasta possíveis tentações do presidente do Governo espanhol: "Não acho que Pedro Sánchez cometa a irresponsabilidade de levar Espanha às eleições apenas porque quer ter todos os ministros para ele. É preciso respeitar o parceiro e os eleitores de todos os partidos."

"Não desprezamos os milhões que votaram no Partido Socialista, assim como não se pode faltar ao respeito dos quatro milhões que votaram em nós", acrescentou.

Por isso, Pablo Iglésias mantém-se otimista e disponível para negociar, mas continua a colocar o país acima das decisões europeias. "Estamos dispostos a não estabelecer qualquer linha vermelha e a aceitar a liderança do PSOE. Disseram que o nosso programa poderia ser alarmante para as instituições europeias. Nós dizemos que a Constituição espanhola é o nosso programa", asseverou.

Há problemas nacionais para os quais o líder do Unidos Podemos quer resolução: "pensões têm de ser revalorizadas, tem de haver um sistema fiscal justo, e as pessoas têm direito a receber um salário adequado". "Estes são os nossos princípios, e o PSOE tem de ceder um pouco."

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