Polícia de Hong Kong dispersa manifestantes com gás lacrimogéneo

O dia em Hong Kong ficou marcado pela invasão do parlamento local. Manifestantes deixaram um rasto de destruição com vidros, portas e quadros partidos.

Após várias horas de protesto, os manifestantes entraram esta segunda-feira na sede do Conselho Legislativo de Hong Kong. Num dia marcado por mais um grande protesto, semelhante aos que se realizaram nas últimas semanas, os manifestantes partiram vidros, pintaram paredes e destruíram quadros.

A repórter da rádio Macau, Fátima Valente, descreve à TSF o ambiente de grande tensão que se vive no parlamento de Hong Kong. "Um cenário de destruição".

A polícia de intervenção de Hong Kong disparou gás lacrimogéneo e carregou sobre manifestantes que invadiram o parlamento na madrugada de segunda para terça-feira (hora local).

Imagens transmitidas pela televisão mostram os polícias protegidos por equipamentos anti-motim a carregarem sobre os manifestantes, depois de os ter avisado para abandonarem o edifício.

A polícia tinha previamente emitido a ordem para se retiraram do interior do edifício do parlamento, ameaçando recorrer à força.

Centenas de manifestantes pró-democracia tinham entrado na sede do Conselho Legislativo de Hong Kong, depois de derrubar barreiras e quebrar janelas, tendo hasteado uma bandeira da era colonial britânica, perante a impotência das forças policiais.

"Os manifestantes radicais entraram em força e com extrema violência no complexo do Conselho Legislativo", considerou o Governo de Hong Kong, em comunicado, descrevendo a atuação dos manifestantes como "inaceitável pela sociedade".

A polícia de Hong Kong anunciou que se preparava para reaver o controlo do edifício do Parlamento, usando a "força apropriada" e num curto espaço de tempo, pedindo aos manifestantes para abandonarem a área.

"Dentro de pouco tempo, a polícia dirigir-se-á ao edifício do Conselho Legislativo. Em caso de obstrução ou se houver oposição, a polícia utilizará a força apropriada", disse um porta-voz das autoridades policiais, hoje divulgado na rede social Facebook.

Os manifestantes dizem que o Governo de Hong Kong não tem respondido às suas exigências de retirada completa de legislação de extradição contenciosa e de demissão da chefe do Governo, Carrie Lam.

A controvérsia da lei de extradição deu um novo impulso ao movimento de oposição pró-democracia de Hong Kong, despertando preocupações sobre o facto de a China estar a limitar os direitos garantidos a Hong Kong por 50 anos, sob o modelo de "um país, dois sistemas".

As estações televisivas de Hong Kong mostraram centenas de manifestantes, vestidos de negro, a passar por um posto de segurança e a usar barras de aço para derrubar barreiras de acesso ao edifício do Parlamento da cidade.

O grupo descolou da manifestação que reuniu mais de 10.000 pessoas nas ruas de Hong Kong para exigir mais democracia, no 22.º aniversário do retorno à China da antiga colónia britânica (em 01 de julho de 1997).

Os manifestantes entraram em confrontos com os esquadrões policiais antimotim, que procuravam conter a entrada no Conselho Legislativo, usando gás pimenta.

Ao fim de cinco horas de embate, os manifestantes conseguiram derrubar as barreiras de proteção e desmantelaram uma grade de metal que protegia uma das janelas do edifício, conseguindo assim entrar.

Hoje, Lam tinha prometido que faria mais esforços para atender às vozes dos jovens que nas últimas quatro semanas se têm manifestado a favor de mais democracia e direitos cívicos.

"Percebi que, enquanto dirigente política, tenho de me recordar da necessidade de entender os sentimentos públicos, com rigor", disse Carrie Lam aos jornalistas, enquanto os manifestantes continuavam a exigir a sua renúncia.

Dois momentos de protestos em junho atraíram mais de um milhão de pessoas, segundo estimativas dos organizadores.

Os manifestantes também exigem um inquérito independente sobre as ações policiais durante o protesto de 12 de junho, quando usaram gás lacrimogéneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes que bloquearam o Parlamento no dia em que o debate sobre o projeto estava programado para ser retomado.

A polícia disse que o uso da força era justificado, mas a partir desse momento adotou táticas mais brandas, mesmo quando os manifestantes cercaram a sede da polícia nos últimos dias, atirando ovos e gritando 'slogans'.

Notícia atualizada às 16h50

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