Moro e a investigação que o implica: "Querem atacar a luta contra corrupção"

O ministro da Justiça brasileiro abordou as denúncias que colocaram em causa a sua imparcialidade no processo da Lava Jato.

O ministro da Justiça do Brasil disse hoje que um grupo criminoso está a atacar a luta contra a corrupção e as instituições do país, no âmbito das denúncias que colocaram em causa a imparcialidade da operação Lava Jato.

Falando numa audiência pública no Senado, em Brasília, Sérgio Moro referiu que a divulgação da sua troca de mensagens com procuradores feita pelo portal Intercept é "um movimento claro para anular condenações pretéritas de pessoas que cometeram crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, impedir novas investigações e atacar as instituições brasileiras".

"A indagação que se faz, normalmente, é de quem se beneficia [do escândalo causado pela divulgação de alegadas trocas de mensagens de Moro com procuradores]. Este é um grupo dedicado ao interesse público, que resolveu expor malvados procuradores ou juízes e polícias envolvidos numa conspiração contra a corrupção", questionou o ministro da justiça de Segurança Pública.

Desde o dia 09 de junho, o portal jornalístico The Intercept publica uma série de reportagens balizadas em alegadas mensagens secretas obtidas de uma fonte anónima, que terão sido trocadas por Moro com procuradores da Operação Lava Jato à época quando era o juiz responsável por analisar os processos da investigação em primeira instância.

O The Intercept é um portal de jornalismo de investigação liderado por Glenn Greenwald, jornalista a quem o ex-analista norte-americano Edward Snowden revelou os programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA, na sigla em inglês).

Segundo o Intercept, as conversas lançam dúvidas sobre o desempenho de Moro nos processos da Lava Jato, nomeadamente no julgamento que levou à prisão do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Moro voltou a negar que tenha agido de modo parcial ou que tenha combinado ações com promotores responsáveis pelas investigações, embora tenha admitido que usava a aplicação Telegram para falar com procuradores, alegando que é normal os juízes conversarem com as partes fora dos autos do processo.

"Isso é normal na tradição legal do Brasil e de outros países", afirmou Moro.

O ministro também apresentou informações sobre a operação Lava Jato, que descobriu uma enorme rede de corrupção na estatal petrolífera Petrobras e envolveu dezenas de empresários, políticos e funcionários públicos, e também se espalhou por dezenas de países da América Latina e África.

"Mais de 90 denúncias, 45 sentenças, 291 acusados, 211 condenações, 298 pedidos de prisões cautelares das quais 207 foram aceitas. Em todos os casos havia evidências muito fortes que se se descobriu contas milionárias em bancos do exterior", declarou Moro.

O ministro também acrescentou que a operação Lava Jato resultou em dezenas de acordos de cooperação judiciária com os réus e permitiu até agora a recuperação de milhões de reais desviados pela corrupção.

Segundo Moro, o objetivo principal do Lava Jato era "romper o ciclo de impunidade" no Brasil promovido por políticos e empresários influentes, que durante anos se haviam envolvido em várias práticas de corrupção em todos os níveis da administração pública.

Em relação às mensagens obtidas pelo The Intercept, o ministro insistiu que não reconhece a sua autenticidade, porque não foram alvo de perícias e poderão ter sido "total ou parcialmente editadas".

Moro também classificou o trabalho do portal jornalístico Intercept neste caso como "sensacionalismo".

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