Morreu Robert Frank, um dos mais icónicos fotógrafos da História

Revolucionou a fotografia documental e é responsável por um dos mais icónicos livros de fotografia do mundo. Morreu esta segunda-feira, aos 94 anos.

Robert Frank, um dos fotógrafos mais influentes do mundo moderno e mestre de alguns dos retratos mais crus e expressivos da História, morreu esta segunda-feira, aos 94 anos.

O autor de um dos livros de fotografia mais influentes e citados de sempre, a preto e branco, "The Americans", morreu esta segunda-feira no Canadá de acordo com o The New York Times . A notícia foi dada por Peter MacGill, curador da galeria Pace-MacGill, em Manhattan.

Robert Frank, nascido na Suíça, emigrou aos 23 anos, e chegou a Nova Iorque como um "refugiado artístico" que não suportava os valores "tacanhos" do próprio país. O trabalho "The Americans" mudaria o curso da História da fotografia, ao expor retratos de uma viagem pelas estradas durante a década de 1950.

As suas fotografias celebravam a solitude dos percursos, enquanto se debatiam entre casais de adolescentes, reuniões de familiares durante funerais e aspetos quase cinematográficos da vida quotidiana. A crítica cultural Janet Malcolm considerá-lo-ia o impulsionador da "nova fotografia".

Mas Robert Frank não conquistou o consenso imediato, com críticas entre o "mal-humorado" e o "desencantado" para caracterizar o aspeto das suas fotografias do país que o acolhera. O fotógrafo era, de facto, um contestador do conformismo dos Estados Unidos, mas alternava entre o espírito crítico e o espanto pelo sonho norte-americano, espelhado no cinema dedicado às massas e na televisão.

Os anos 50 maltrataram o artista, como rejeitaram todos os que pudessem mostrar-se contrários ao patriotismo vigente. Tudo mudou quando Robert Frank conheceu Jack Kerouac, autor do "On the Road", que conhecia de perto o sentimento retratado pela lente do mestre da fotografia documental. Robert Frank chegou mesmo a escrever o prefácio da obra de Kerouac.

O português que era amigo de Robert Frank

Albano Silva Pereira, fotógrafo e diretor do Centro de Artes Visuais em Coimbra, era amigo próximo de Robert Frank. Em declarações à TSF após a morte do suíço revelou que se conheceram através de outro colega de profissão, Duane Michals.

"O Duane, quando lhe pedi o contacto, disse-me: "Albano, tens toda a razão porque esse é o melhor de todos." Começámos a telefonar-nos e falámos frequentemente, durante horas, por um ano", recordou Albano Silva Pereira.

Na opinião deste amigo de longa data, o icónico fotógrafo teve inúmeros momentos sublimes na sua carreira.

"Todos falam do "The Americans" que, de facto, é um ícone da história da América. O Robert era um herói, um génio. Conseguia transmitir através da sua obra, fossem filmes, fotografia ou caligrafia, uma comodidade absolutamente exemplar, os seus sentimentos, memórias e momentos da sua vida. Era um poeta, um grande poeta", explicou o diretor do CAV.

Visivelmente emocionado, o fotógrafo português recorda o amigo como um dos homens mais extraordinários com quem que cruzou na vida.

"Não se trata só de um grande amigo. Talvez um dos mais extraordinários homens que conheci na minha vida. Aquilo que estou a falar enquanto amigo, ele era enquanto artista, fotógrafo e cineasta. Era, de facto, de uma grande autenticidade e criatividade", sublinhou Albano Silva Pereira.

Apesar de ser um dos profissionais da fotografia mais icónicos da História, Robert Frank nunca gostou de protagonismo.

"Foi sempre um homem que fugiu aos holofotes. Dou-lhe um exemplo. No dia da inauguração da exposição com o portfólio do "The Americans", em Nova Iorque, - uma exposição absolutamente extraordinária - havia um jantar cerimonial no fim e ele foi jantar com os amigos", afirmou o fotógrafo português.

A morte dos dois filhos, Andrea e Pablo, foi o acontecimento mais duro da vida de Robert Frank.

"Os dois filhos dele, a Andrea e o Pablo, morreram-lhe. Uma tragédia. Ela morreu num acidente de avião, no Brasil, e o filho devido a drogas, na reabilitação. O Robert, a partir destes dois acontecimentos, nunca mais foi o mesmo", acrescentou Albano Silva Pereira.

Em atualização

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