Na Venezuela de Maduro ou de Guaidó, quem fica com o petróleo?

É a jogada mais importante do xadrez político venezuelano: quando não há dinheiro paga-se com petróleo. Há 50 países a apoiar Guaidó, mas os maiores credores apoiam Maduro. Xeque-mate?

Quer Nicolás Maduro consolide o seu poder, quer Juan Guidó assuma o controlo do Governo venezuelano, a questão a longo prazo é: "Que fica com o petróleo?"

A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo (17,9%), à frente da Arábia Saudita (15,7%), do Canadá (10,0%) e do Irão (9,3%), segundo dados do grupo petrolífero britânico BP.

Depois da tentativa de golpe de Estado falhada, o petróleo é uma peça ainda mais importante no xadrez político entre os países que suportam Maduro e os mais de 50 países que suportam Guaidó, incluindo os Estados Unidos.

Os EUA já decretaram a aplicação de sanções até que Maduro abdique do poder a favor do autoproclamado Presidente interino da Venezuela e apelaram a todos os Estados que sigam o exemplo e se preparem "tomar ações concretas" contra o regime de Maduro.

A empresa nacional PDVSA (Petróleos de Venezuela, S.A) ou qualquer empresa em que o Estado venezuelano detenha mais de 50% das ações está proibida de fazer negócios com empresas norte-americanas, sob risco de sanções.

Por outro lado, os dois dos maiores credores da Venezuela - China e Rússia - apoiam Maduro. Só a China emprestou desde 2007 mais de 60 mil milhões de dólares à Venezuela sobre promessa de pagar em petróleo.

Também Cuba reforçou as forças de segurança do regime em troca de petróleo. Os EUA acusam o país de "lucrar e a apoiar o regime ilegítimo de Maduro através de esquemas de petróleo" e anunciaram em abril novas sanções contra 34 embarcações que transportam petróleo venezuelano para Cuba.

Em resposta, Caracas já assegurou que vai manter as exportações de petróleo para Cuba e diz que os EUA têm como objetivo atacar a "soberania económica" da Venezuela.

Com a forte desvalorização da moeda venezuelana, o país depende cada vez mais do petróleo para pagar as suas dívidas. O problema, escreve a CNN, é que chamado o ouro negro só tem valor quando pode ser extraído e processado, coisa que o país tem cada vez menos capacidade para fazer.

A produção afundou e está no nível mínimo dos últimos 30 anos: a Venezuela produzia mais de três milhões de barris por dia nos anos 1990, mas em 2018 produziu apenas 1.339 milhões de barris, segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Com uma dívida seis vezes superior às exportações anuais, o petróleo já não chega para cumprir as obrigações de crédito e está praticamente todo hipotecado.

Os emissários de Guaidó estão a tentar convencer credores como a Rússia e a China de que um novo regime, livre de sanções, pode honrar os compromissos de crédito, o que poderia virar o jogo a seu favor.

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