"Nenhum de nós sonhava que poderíamos tirar de lá os 13 vivos"

O mergulhador finlandês Mikko Paasi, que participou no resgate das 12 crianças e do treinador de futebol na Tailândia, está em Portugal para participar numas Jornadas Técnicas de Mergulho. À conversa com a TSF falou de alguns momentos chave da operação de resgate.

O mergulhador Mikko Paasi, que participou nas operações de resgate das 12 crianças e do treinador de futebol que ficaram presos, durante 18 dias o ano passado, numa gruta em Tham Luang na Tailândia, está em Portugal. Está de visita ao nosso país pela primeira vez.

O finlandês participa este fim de semana nas Jornadas Técnicas de Mergulho promovidas pelos Bombeiros Voluntários de Viseu, este ano dedicadas ao mergulho com teto e ao resgate que ocorreu em julho do ano passado e que foi seguido com atenção em todo o mundo.

Antes de marcar presença na iniciativa, Mikko Paasi esteve à conversa com a TSF. Confessou que nunca vai esquecer toda a operação onde esteve envolvido.

"Juntou-nos a todos os que participámos no resgate e espero que sejamos amigos para sempre. Estive com as crianças algumas vezes depois do que aconteceu e sim não se consegue apagar isto da memória", disse.

O mergulhador estava em Malta quando a equipa de futebol ficou encurralada. Como conhecia bem a Tailândia, país onde viveu durante 22 anos, ofereceu-se para ajudar.

"Nenhum de nós, e se calhar eu posso falar em nome de todos os envolvidos, sonhava que poderíamos tirar de lá os 13 vivos. Antes de começarem as operações de extração, três dias antes, esperávamos muito poder trazer metade deles. As nossas opções eram apenas a má e a pior. A pior era deixar as crianças nas grutas até as monções terminaram. A má era tira-las através de mergulho. Por isso no início pensámos que se salvássemos metade já era bom, mas depois chegamos à conclusão que juntos conseguiríamos fazer melhor", contou.

Mikko Paasi não esteve em contacto com o grupo na caverna onde este ficou preso a 23 de junho. Esteve noutra gruta perto dessa e foi aí que recebeu os jovens, por intermédio de outros mergulhadores, e que os ajudou a regressar às respetivas famílias.

"Quando estava a tirar cada rapaz, fazendo o que me competia, eles estavam muito calmos, porque estavam ligeiramente sedados, estavam muito magrinhos, mas estavam fortes atendendo às condições e ao tempo que tinham estado no escuro", explicou à TSF.

Este caso apaixonou todo o mundo e foi seguido por milhares de pessoas no planeta, que ansiavam o resgate da equipa de futebol.

"Uns dizem que foi milagre, outros dizem que foi por causa das nossas capacidades e do planeamento que fizemos. Eu acho que foi um misto dos dois", defendeu.

A operação de resgate foi em larga escala e única ao nível planetário. Mikko considera que este caso pode servir de lição.

"Podemos aprender com isto, como reagir e como trabalhar nestas condições", disse, acrescentando que o sucesso do salvamento provou que "tudo é possível".

"Eu ganhei mais confiança em participar e todos nos desafiamos ao máximo. Aprendemos aquilo que podemos fazer e acho que aprendemos muito também acerca do ser humano: se nos juntarmos podemos ultrapassar tudo", afirmou.

À medida que os dias ia passando, 18 no total, muitas foram as vozes críticas que apontam o dedo ao treinador que levou as crianças para dentro de uma gruta. O mergulhador finlandês tem uma opinião completamente contrária e diz que esta situação limite provou que as crianças "não podem estar dentro de quatro paredes".

"Elas devem explorar o mundo. Na altura disseram que eles não deviam ter ido para as grutas, eu discordo. Foi um mau timing, mas devemos encorajar as nossas crianças a explorar a natureza e a aprender mais sobre ela e não o contrário", argumentou.

A história que Mikko Paasi descreve como "bonita", com vários ângulos para contar, e com a qual as pessoas se identificam, já deu origem a um filme. Outros podem seguir-se e até documentários.

O mergulhador nórdico disse à TSF, em jeito de brincadeira, que até gostava de participar numa longa-metragem ou documentário e desempenhar o seu próprio papel.

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