Planeta sem malária em 2050? "Investimento estagnado" torna meta improvável

Uma das maiores estudiosas do mosquito da malária acredita que a maratona de 30 anos não é suficiente para eliminar as diferenças no combate à doença pelo mundo.

Será mesmo possível eliminar a malária até 2050? Uma das maiores estudiosas do mosquito portador considera esta meta demasiado otimista, já que, aponta, falta aplicar no terreno as medidas que foram prometidas. Maria Manuel Mota comenta assim o estudo recentemente publicado pela comissão para a malária da revista científica The Lancet.

A investigadora e diretora do Instituto de Medicina Molecular, especialista no mosquito portador da malária, admite, em declarações à TSF que o otimismo é positivo, mas que deve ser acompanhado de iniciativas, como a aplicação do financiamento prometido.

Maria Manuel Mota, Prémio Pessoa em 2013, faz, portanto, as contas improváveis. "Para isto acontecer, o investimento anual terá que aumentar em dois biliões: dos 4,3 biliões anuais que estão a ser gastos neste momento, para seis biliões. Enquanto nós sabemos que esse investimento está estagnado desde 2011, este estudo parte da premissa de que todas as regiões do planeta vão ter acesso aos melhores diagnósticos, aos melhores tratamentos e às melhores formas de combater o mosquito", explica a diretora do Instituto de Medicina Molecular.

"Essa premissa muito dificilmente será concretizada, porque as regiões do planeta não são tratadas de igual forma", afirma Maria Manuel Mota, que considera "extremamente otimista" a teoria defendida na revista The Lancet.

Ainda assim, a investigadora faz questão de frisar que considera o estudo "muito bem feito, muito lógico e bem escrito, baseado em algo concreto". A tese defendida pela equipa de autores parte de premissas que ainda não estão concretizadas, a começar pelas quantias disponíveis em cada país para erradicar a malária.

Até hoje, refere Maria Manuel Mota, a humanidade só conseguiu erradicar uma doença, que foi a varíola, mas "isto é exatamente o que devemos ter como objetivo, mas ainda não estamos lá, no ponto de atingir todas estas premissas". "No entanto, eu sou o tipo de cientista que pensa que vamos conseguir tudo, um dia. O ser humano é incrível e, obviamente, vai ser capaz", assume.

A investigadora portuguesa lembra também que o parasita da malária ainda não está completamente estudado pelos comunidade científica, e a única vacina que existe ainda só oferece 30% de proteção.

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