Quer casa barata? Também não vale a pena procurar na Islândia

Islândia tem cada vez mais turistas: sete visitantes estrangeiros por cada habitante.

O centro da capital do país com mais turistas que residentes locais e rendas com preços absurdos. O cenário que pode parecer familiar a quem ouve ou lê notícias sobre a realidade portuguesa é comum, também, na Islândia.

A questão explica-se com alguns números: para quem pensa que há demasiados turistas em Portugal (12,16 milhões de estrangeiros em 2018 para 10,27 milhões de habitantes), na Islândia, um país recente que está a fazer 75 anos, eles são, proporcionalmente, ainda mais (2,3 milhões para 338 mil habitantes), ou seja, quase sete visitantes estrangeiros por cada islandês).

Paulo Jorge Gramata é de Aveiro, tem 44 anos e vive há 21 anos na Islândia. É carpinteiro, trabalha na construção civil e para ele o boom no turismo islandês dos últimos anos é uma boa notícia para a carteira: não lhe falta trabalho, sobretudo nos muitos hotéis que crescem como cogumelos num país conhecido por paisagens naturais inacreditáveis.

Lá como cá, explica Paulo, as notícias estão frequentemente ocupadas por um tema: o alojamento local e a aplicação Airbnb que fizeram disparar os preços de compra e do arrendamento tradicional de longa duração.

O Parlamento islandês já avançou com medidas , mas nada parece travar a tendência, havendo estudos do Banco da Islândia sobre os preços das casas e outros sobre o aumento das desigualdades potenciadas pelo Airbnb.

Os turistas mudaram, por exemplo, nos últimos anos, a baixa de Reykjavic, a capital, onde praticamente já não vivem islandeses - quase só se encontram estrangeiros.

Paulo Jorge Gramata explica que uma casa de dimensão T1 ou T2 custa entre 2.000 a 2.500 euros por mês (cerca de 1700-2800 euros nos arredores), algo que até pode ser comportável para um casal em que os dois trabalham (num país com salários altos) mas que não é possível de pagar por uma pessoa sozinha.

"É praticamente a mesma coisa que acontece em Portugal, mas aqui tínhamos uma população e construção estabilizada pelo que a chegada dos turistas gerou um problema de falta de casas".

Paulo recorda que no ano passado, quando visitou Aveiro, também viu algo que nunca tinha visto em Portugal: "Praticamente não conseguia caminhar com tantos turistas... Aqui, em Reykjavic, é a mesma coisa".

Portugal e Islândia têm, no entanto, algo que os distingue: além dos turistas, também a população residente na Islândia, um país habitualmente com pouca gente, tem aumentado muito , nomeadamente com os imigrantes.

Tudo junto, explica Paulo Jorge Gramata, os hospitais, as escolas e outras infraestruturas como as estradas também passaram a ser tema de notícia - "A Islândia não estava preparada para receber tantas pessoas assim de repente".

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de