Sanchez sonha com gerigonça, mas debate termina sem acordo

Durante sete horas, esquerda e direita usaram argumentos para negar aquilo que o primeiro-ministro espanhol deseja: a formação de um governo à portuguesa.

Nem à esquerda nem à direita. A solução com que Pedro Sanchez sonha, idêntica à existente em Portugal está em risco. O debate da investidura, que durou sete horas, terminou sem qualquer acordo entre o PSOE e o Unidas Podemos.

Perante os deputados, Sanchez tentou convencer Pablo Iglesias a formar um governo de cooperação, mas sem sucesso.

"A cooperação existe em Portugal, a cooperação existe na Dinamarca, a cooperação existiu nos últimos 12 meses em Espanha e alcançámos em conjunto muitas coisas", disse Sánchez. O líder do PSOE defendeu uma revisão constitucional que evite bloqueios na formação de governo, uma intenção que não caiu bem a Pablo Iglesias.

"Se queria mudar a constituição para que com 28% dos votos pudesse formar um Governo de partido único, isso revela que não quer ou não queria fazer um acordo connosco", atirou o líder da Unidas Podemos.

Na resposta, Pedro Sanchez dramatizou o discurso, questionando qual seria a solução. "Convocar novas eleições para 10 de novembro? Isso não será responsabilidade de um grupo parlamentar ou de outro. Será responsabilidade de todos os 350 deputados desta câmara", frisou.

O socialista pediu ainda que a direita, o Cuidadanos e o PP, se abstenha para facilitar um acordo. Mas à esquerda, nãio há garantias, conforme deixou expresso Pablo Iglesias. "Não nos proponha ser um mero elemento decorativo no seu Governo por não podemos aceitá-lo", sublinhou.

Para ser investido na terça-feira, Sánchez necessitaria dos 123 votos do PSOE, dos 42 votos do Unidas Podemos e de outros pequenos partidos regionais, uma opção praticamente afastada, visto não haver ainda acordo com a extrema-esquerda.

Mas Pedro Sánchez espera que até quinta-feira possa chegar a um compromisso com o Unidas Podemos que lhe permita ser investido, 48 horas depois da primeira votação, quando já só precisa de ter mais votos a favor do que os contra a sua recondução.

Nas legislativas realizadas em 28 de abril último, o PSOE obteve 123 deputados (28,68% dos votos), o PP (Partido Popular, direita) 66 (16,70%), o Cidadãos (direita liberal) 57 (15,86%), a coligação Unidas Podemos 42 (14,31%) e o Vox (extrema-direita) 24 (10,26%), tendo os restantes deputados sido eleitos em listas de formações regionais, o que inclui partidos nacionalistas e independentistas.

No caso de não conseguir ser investido esta semana, haverá um período de dois meses para se tentar encontrar uma solução para a situação de impasse, antes de serem marcadas novas eleições.

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